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O Estado Livre do Congo - A reação indignada

Quando o mundo civilizado deu-se conta do que ocorria por lá – denunciado pelas investigações de Edmund D.Morel, fundador do Congo Reform Association - foi um deus-nos-acuda. Ele descobrira, atentando para os embarques dos navios em Antuérpia, que os negócios do Congo eram conduzidos por uma sociedade secreta de criminosos que tinha o rei como camarada. Um proveitoso comércio que , segundo o historiador Jules Marchal, teria rendido o equivalente a U$ 1,1 bilhão de dólares aos cofres do monarca. De Mark Twain a Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes - que escreveu : “Existem tempos, jovem camarada, quando cada um de nós deve fazer alguma coisa pelo direito humano e pela justiça, ou você nunca mais se sentirá limpo” - , o mundo intelectual indignou-se com o terror transformado em método de administração colonial, gerando o primeiro movimento moderno a favor dos direitos humanos (*). Mas ai, para as milhares de vítimas, já fora tarde. Leopoldo II, por sua vez, - obrigado pela pressão internacional a transferir “ seus direitos” para o governo belga, em 1908, num valor superior a 45,5 milhões de francos, além de outros 5 milhões que lhe foram entregues a titulo de “um marco do agradecimento por seus grandes sacrifícios feitos pelo Congo” - foi um dos primeiros chefes europeus a fazer parte do triste rol dos genocidas modernos, enquanto os homens brancos em geral, tão ciosos da suas conquistas civilizadoras, descobriram que eles eram apenas um pouco menos selvagens do que os selvagens. O Congo também deixou outra lição. A liberação total e sem freio sobre as ambições econômicas, soltas num cenário caótico, como tanto apregoa o radicalismo liberal, necessariamente não faz com que a prosperidade reine. As leis da selva invadem as leis do mercado, e o resultado, como se viu durante a vigência do Estado Livre do Congo é o horror.



(*) Mark Twain redigiu o devastador King´s Leopold Soliloquy, em 1905 ( somente publicado em 1923), enquanto Conan Doyle dedicou a causa o seu The crime of the Congo, aparecido em Londres em 1909.Também pode-se registrar como literatura ainda decorrente das atrocidades de Leopoldo II, o conto de Franz Kafka “ A Colônia Penal”, de 1919.

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