Sevilha, esquina do mundo - Expulsando os mouros
No porão dos barcos, além dos aprendizes, amarravam seus magníficos cavalos, muitos deles comprados nos haras da Andaluzia, garanhões tordilhos, brancos, pretos, baios, belíssimos, esbeltos, para índio nenhum por defeito. Por isso tudo, por este passado feérico e um clima sensual contagiante, um tanto como cidade meio matrona, meio amante, da Iberoamérica, onde muita gente do Novo Mundo encontra ainda hoje vestígios dos seus antepassados, é que Sevilha é a cidade favorita de tantos poetas hispânicos e brasileiros, como é o caso de João Cabral de Mello. Porém, mais recentemente, neste junho de 2002, ela recebeu quinze chefes de estado europeus para deliberarem o que podemos chamar de a segunda expulsão dos mouros, a tentativa de livrarem-se dos imigrantes que têm chegados aos magotes às praias e aos portos da Europa, tão desesperados, tão cheios de sonhos como quando as gentes da Ibéria partiam de lá, de Sevilha, há quatro ou cinco séculos atrás.
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