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O inferno de Verdun - Os momentos finais

Mortos nas trincheiras, as ruínas de uma civilização
Por fim, no dia 12 de julho de 1916, o general Erich von Falkenhayn ordenou a cessação dos ataques e determinou que as tropas alemãs mantivessem a todo custo suas posições. A conversão mais ou menos repentina de Verdun numa batalha defensiva por parte deles deveu-se ao fato de que os anglo-franceses estavam lançando, a partir do dia 1º de julho, uma enorme ofensiva na região do Somme. Grande e terrível batalha que em pouco tempo revelou-se um matadouro da mesma dimensão do de Verdun ( os ingleses perderam somente no primeiro dia do ataque 58 mil mortos e feridos, totalizando 600 mil baixas quando a batalha encerrou-se). Além disso, os russos , aliados dos ingleses e dos franceses, por insistência dos últimos, sangrados em Verdun, iniciaram a partir do dia 4 de julho um poderoso ataque contra os austro-húngaros no fronte oriental – a ofensiva Brusilov. Investida que, até ser detida no dia 20 de setembro, causou enorme estrago nos aliados dos alemães. Para aumentar ainda mais os dissabores deles, o Reino da Romênia declarou guerra às potências centrais no dia 27 de agosto, obrigando a que o Alto Comando alemão, aquela altura chefiado pelos generais Hindemburg e Ludendorff , começasse a retirar tropas da região de Verdun para tapar os buracos que se abriam em vários outros frontes da guerra. O general Falkenhayn, caído em desgraça, foi enviado para comandar o fronte da Romênia. Encerrado o assédio alemão sobre Verdum, foi a vez dos franceses contra-atacarem. No dia 21 de outubro de 1916, o general Nivelle ordenou que suas tropas retomassem todos os fortes que haviam sido perdidos para os alemães. Assim, um a um, com a retirada das forças do Kaiser, os franceses os recuperaram, dando a hecatombe por encerrada no dia 19 de dezembro de 1916. A última página de bravura naquela matadouro foi propiciada por um oficial alemão, o capitão Prollius que negando-se a evacuar o Forte Douaumont sem oferecer luta, nele plantou-se com 20 voluntários até ser obrigado a render-se. Com tal gesto quase que quixotesco encerrou-se uma das maiores carnificinas da história.

Verdun, símbolo universal da Paz

Fort Souville , paisagem devastada
Dando prosseguimento à política da conciliação entre os dois povos, assumidas pelos franceses e pelos alemães depois da Segunda Guerra Mundial, o presidente da França François Mitterand encontrou-se com Helmuth Kohl, o chanceler da Republica federal alemã, no dia 23 de setembro de 1984, frente ao ossuário existente no Fort Douaumont, erguido em homenagem aos soldados mortos em Verdun, para a troca de um aperto de mãos carregado de emoção. O simbolismo do gesto dos dois estadistas visava enterrar ali - exatamente naquele local em que pereceram milhares de soldados, imolados no altar da rivalidade das suas nações - qualquer possibilidade futura de franceses e alemães vierem novamente a se enfrentar. Quatro anos depois, em 1988, o então secretário-geral da ONU, Javier Perez de Cuellar, esteve naquele campo de morte para transformá-lo no Centro Mundial da Paz e dos Direitos do Homem.

Bibliografia

“Eles não passarão!” Estátua em Verdun
Buffetant, Y – Miquel, Pierre – Verdun images de l´enfer (Tallandier, Paris, 1995)
Horne, Alistair – The Price of Glory: Verdun 1916 ( Penguin Books, NY, 1978)
Horne, Alistair – Verdun e Somme (in História do século XX, Abril, nº21, SP).
Liddel Hart, Basil – History of the First World War (Pan books, Londres, 1970)
Péricard, Jacques – Verdun 1916 ( Druckerei Moll, Idar-Oberstein, 1994)
Tuchman, Barbara W. - The Guns of August (Ballantine Books, Londres, 1994

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