BUSCA + enter






Introdução | Os Argonautas | A Odisséia | A Eneida | Quadro das Viagens Épicas | Bibliografia

Viajantes míticos


Passadas as comemorações do 500 anos da descoberta do Brasil é interessante lembrar outras grandes façanhas náuticas, ainda que míticas, do Ocidente. Observe-se, porém, que as feitas nos tempos da Grécia Antiga, limitaram-se aos mares internos, ao Mediterrâneo, ao Egeu, e ao Mar Negro. Aquelas aventuras de tempos remotos serviram como um estímulo aos grandes navegadores ibéricos dos século 15 e 16, para que, também eles, seguissem os exemplos dos argonautas, de Ulisses, e de Enéias, os heróis fabulosos do passado ilustre, e desbravassem as águas nunca navegadas dos Oceanos Atlântico e Pacífico.


A nau Argos em busca do Tosão de Ouro

Introdução

"O movimento é natural no homem. O mais além das colinas para o aldeão, o mais além do horizonte para o marinheiro. A sede de conhecer leva o homem a inventar, mais tarde a deslocar-se. No mais além as coisas não podem ser senão melhores....Porque contentar-se com a mediocridade dos espaços reconhecidos? - Jean Favier - Les grandes découvertes, 1991

As história de viagens e de descobertas sempre fascinou a humanidade. Conhecer outras terras, outras culturas, espantar-se com outras gentes, ver o que ninguém viu antes, é, pode-se dizer, inerente à natureza humana. É uma inevitável conseqüência da nossa curiosidade. Disso resulta que boa parte da grande literatura, da "Odisséia" de Homero ao "D. Quixote de la Mancha" de Cervantes, pode ser entendida como uma literatura de viagem.

Embarcar em naus, enfrentar os perigos dos mares, sobreviver aos naufrágios, aportar em ilhas desertas, em terras desconhecidas, deparar-se com gente estranha, com animais, pássaros e plantas fabulosos, sobreviver aos desafios do inesperado, é o que faz a leitura dessas obras um encantamento sem fim. O sucesso dessas peripécias deve-se a que elas são uma forma ampliada, e bem mais fantasiosa, da vida que a maioria dos homens desejaria para si, daí elas serem lidas de geração em geração. A viagem é uma metáfora da vida.

Partir de um porto é o nascer, desbravar o mar é a vida em si, superar as ondas, as tempestades, resistir às tentações, são os percalços porque todos nós passamos. sendo que o objetivo da viagem é encontrar um sentido para a vida em si.. E, o encontro de lugares mágicos, de ilhas paradisíacas, intercalado com o surgimento de monstros ou de prodígios, temores que provocam calafrios, nada mais são do que os sonhos e pesadelos que nos acompanham durante o sono, pela existência a fora.

As viagens épicas da Antigüidade


As primeiras narrativas de viagens da cultura ocidental originaram-se da Grécia Antiga. Graças à cultura oral, transmitidas pelos aedos, elas foram preservadas e transmitidas, de geração em geração, até que um poeta, tempos depois, as perenizassem em versos escritos. Os gregos e os romanos tinham certeza de que tais viagens de fato ocorreram. O homem moderno, porém, lhes atribuiu um caráter mítico, lendário, creditando-as à imaginação de um povo, de uma classe, ou de uma cultura. A verdade, talvez, encontra-se no meio do caminho entre a lenda e a realidade. As viagens provavelmente ocorreram, mas não evidentemente como os aedos e os poetas as propagaram.

Exemplo disso, parece-nos, é a Ilíada, que trata da Guerra de Tróia. Durante muito tempo entre os sábios europeus, era crença comum de que os feitos dos guerreiros gregos, imortalizados por Homero, eram fruto da fantasia do poeta. Esta opinião durou até que, em 1870, o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann descobriu em Hisarlik, na Turquia, um conjunto de ruínas que possivelmente pertenceram à cidade do rei Príamo. Entre as várias Tróias desde então escavadas, umas sobrepostas às outras, verificou-se que pelo uma delas, a sétima (classificada pelos arqueólogos como VIIa), apresentou traços evidentes de ter sido destruída pelo fogo e outros meios violentos, ao redor dos finais do século 12 a.C.


Vista das ruínas da Tróia antiga

Se a ocorrência da Guerra de Tróia foi comprovada pelos achados de Schliemann, supõe-se que uma série de outros acontecimentos preservados pela cultura greco-romana tenham também acontecido. Assim deu-se com o episódio dos argonautas, uma das mais sensacionais aventuras náuticas de todos os tempos, que ao invés de ser apenas lenda, para alguns historiadores teria de fato se dado ao redor do ano de 1.215 a.C.

|



 ÍNDICE DE CULTURA E PENSAMENTO





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade