O surgimento da Tragédia | A Filosofia à época da tragédia | O culto à Dionísio | Encenação e temática | A eclipse da tragédia | Termos gregos | Bibliografia
A Tragédia Grega
A eclipse da tragédia
O apogeu da tragédia ocorreu num momento de extraordinária complexidade sociológica e histórica: o avanço da democracia e o declínio do poder político dos eupátridas, a transferência de fidelidade e compromissos dos indivíduos do clã para a polis, a descrença nos deuses tradicionais e a erupção do movimento sofista, que se conjugam com os notáveis desafios vindo de fora que os atenienses tiveram que enfrentar (a ameaça persa e, posteriormente, pelo enfrentamento com Esparta), na luta pelo hegemonia do mundo helênico. Ela, a tragédia, conheceu a sua eclipse na medida em que a tecitura histórica se alterou.
A Perda da Autonomia da Polis
No século IV a.C. Atenas, exaurida pela longa Guerra do Peloponeso, travada contra Esparta, pouco pôde fazer para assegurar a sua autonomia, para preservar a Eleutéria (independência em face ao estrangeiro). Felipe II e seu filho Alexandre, da Macedônia, após a vitória nos campos de batalha, terminam por impor-se sobre as Poléis gregas. A submissão delas ao Estado Imperial Macedônico fez com que perdessem a liberdade política e econômica. Por conseqüência, o espetáculo cênico, que era o momento do encontro da comunidade com suas perplexidades, o momento de reflexão e catarse coletiva, deixou de ter sua razão de ser.
A Filosofia Existencial
Como resultado da decadência do espetáculo trágico, surgiram, sublimando as emoções coletivas, diversas correntes filosóficas (denominadas de pós-socráticas) que se caracterizaram por expressar o retorno ao privado, ao subjetivo, ao íntimo, que são as escolas dos cínicos, dos estóicos, dos cépticos e dos epicuristas. Cada uma delas apresentou uma versão, muito própria, da subjetividade grega dilacerada. A partir de então, os espetáculos cênicos deixam de ser a representação das angústias e anseios da coletividade, sendo apreciados apenas como divertimento e lazer. Deu-se pois uma transferência de preocupações, do geral ao particular, criando-se as condições para o surgimento da filosofia "existencial" do período helenístico. Não foi o socratismo com o seu racionalismo e o recurso à lógica - como acusou Nietzsche - quem embaraçou e esvaziou a tragédia do seu sentido, mas sim o fator político que, ao fazer a cidade-estado perder a Eleutéria (a liberdade face ao estrangeiro), tornou o espetáculo trágico sem sentido. A Tragédia encontrou então a sua morte.
Autores e peças
Ésquilo (525-455 a .C.): o mais místico dos autores gregos.
Culpa e castigo o tema comum, pensamentos sombrios, paixões violentas: sua religião é o terror; sua moral, sofrer para aprender. Das 80 ou mais peças que escreveu só nos restaram sete:
| Data provável (a.C.) |
Título da peça |
| 472 |
Os persas |
| 467 |
Os sete contra Tebas |
| 464 |
As suplicantes |
| 458 |
Agamemnon |
| 458 |
Coéfora |
| 458 |
Eumênides |
| 431 |
Prometeu acorrentado |
Sófocles (497-405 a.C.): considerado o maior dramaturgo grego, viveu quase por inteiro o século de Péricles. Procurava conciliar razão e fé. Seus heróis colaboram com o destino, fazendo por merecer a fatalidade, procurava colocar a situação como se o destino fosse a teoria e os homens a prática. Apraz-lhe gênios fortes colocando-os com tímidos e acomodados. Duas de suas obras servirão a Freud para elaborar a teoria do complexo de Édipo e o complexo de Electra. É o mais representado dos autores gregos nos tempos modernos. Suas obras principais são:
 Sófocles |
| Data provável (a.C.) |
Título da peça |
| 430 |
Os Traquineos |
| 442 |
Antígona |
| 440 |
Ajax |
| 410 |
Electra |
| 409 |
Filoctetes |
| 407 |
Édipo o tirano |
| 405 |
Édipo em Colono |
Eurípides (480-406 a.C.): influenciado pelo movimento sofista, foi o mais progressista dos trágicos gregos, não chegando entretanto a negar as tradições. Supõe-se que tenha sido um dos primeiros autores a colocar e analisar o amor e o ciúme no teatro. Humanista e individualista, tratou do drama do homem comum. Na opinião de Aristóteles (in Poética) "pintou os homens como são". As suas principais obras, em número de 19, são:
 Eurípides |
| Data provável (a.C.) |
Título da peça |
| 450 |
Résus |
| 438 |
Alceste |
| 431 |
Medéia |
| 430 |
Os Heráclidas |
| 428 |
Hipólito |
| 427 |
Andrômaca |
| 424 |
Hécabe |
| 422 |
As suplicantes |
| 422 |
Héracles |
| 420 |
Electra |
| 415 |
As troianas |
| 412 |
Helena |
| 414 |
Íon |
| 413 |
Ifigênia em Tauris |
| 410 |
Os Fenícios |
| 410 |
Ifigênia em Avlis |
| 410 |
O Baco |
| 408 |
Os Ciclopes |
| 408 |
Orestes |
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