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A Idade do Ferro


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Ruínas da casa do fauno em Pompéia

A mentira, aliada à astucia e à força, expulsam o pudor e a verdade. A terra, que até então fora comum, vê-se retalhada, bloqueada por muros, escavada e revirada pela cobiça. Atrás do ouro, sedento, vem a guerra, espalhando pavores. Em cada mão uma espada, em cada íntimo a desconfiança - o genro do sogro, o pai do filho, enquanto a madrasta aproximava-se dos venenos. A piedade, vencida, bate em retirada, exila-se do mundo. Conspirações partem de todos os lados.

Até o céu viu-se ameaçado. Um motim de gigantes, os titãs, tenta despojar Júpiter do seu trono. O Palácio dos Céus, um colosso de mármore que abriga as reuniões do deuses presididas pelo todo-poderoso, viu-se ameaçado. Júpiter, porém, com seu cetro expelindo raios, golpeou-os a todos, acabando com a revolta, enxotando, indignado, a turba rebelada de volta para a Terra. Cercados pela corrupção e pela infâmia, os homens não fazem senão exercitarem-se no crime. Nas cidades, nas ruas, quem se adona de tudo são os descendentes de Licáon, o grande lobo.

A Idade dos Brutos

De dentes afiados, olhos oblíquos, pelos por tudo, uivando e grunhindo, vão levando as coisas de roldão. A era dos homens dera lugar ao domínio dos brutos. Então Júpiter, convocando Netuno, açoitou a Terra com um dilúvio purificador. Desde então, a humanidade tem vivido com esta sensação desagradável. O sentimento permanente de que as coisas boas ocorreram no passado, quando aí sim todos eram fraternos, quando em tudo havia abundância e contenção, um tempo em que não se conhecida maldade e em que só satisfaziam as necessidade naturais mais simples. A sensação da vinda do dilúvio para breve não nos abandona nunca. Agora é vez, dizem os alarmistas, das calotas polares derreterem e uma vagalhão vir cobrir os continentes, poluídos pelo capitalismo pecador. Nada mais do que uma versão atualizada das fobias do velho mundo pagão registradas por Ovídio, morto quase dois mil anos atrás.


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O dilúvio (óleo de Li Gardiner) e suas vítimas (P.Toumanoff)

A Metamorfose


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A metamorfose da recordação

Este extraordinário livro em versos, talvez terminado no ano 8, é um poema de pouco mais de 70 páginas dedicado à transformação, uma espécie de versão mitológica da história natural, dividida em 15 livros, onde a narrativa, posta em ordem cronológica, praticamente não se suspende. Foram incontáveis os escritores, poeta, músicos e até arquitetos (os construtores do Palácio de Versalhes nele se espelharam) que, pelos tempos a fora, inspiraram-se num ou noutro desses capítulos mágicos. Neles, a imaginação do soberbo escritor que Ovídio foi juntou-se à tradição dos ardentes amores mitológicos do universo pagão, alimentando assim a fantasia do público ocidental através dos séculos. Trata, o poema, da mudança dos homens em animais, plantas e minerais, que arrasta-se desde o princípio dos tempos, quando o Caos ainda dominava as coisas, até a época de Júlio César. O ditador é incensado pelo poeta num momento especial, o derradeiro, onde ele recria a cena de César caído, apunhalado pelos senadores, sendo recolhido do chão pela deusa Vênus, que o ergue da poça ensangüentada carregando-o para o céu, fazendo dele um cometa. No verso final, ele diz: ela o solta, ele voa além da Lua. De acesa grenha, de espaçosa cauda, No céu girando, resplandece estrela.

O site recomenda

Ovídio - Metamorfoses (Hedra, SP., trad. de Manuel M. Bocage)
Ovídio - A Arte de Amar (Ediouro, SP)
Ovídio - Poemas da carne e do exílio (Cia. das Letras, SP.)





 
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