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A decepção com o país

O que sobrava daquela propaganda religiosa que ele via em todos os lugares era um conjunto de proibições: não beber, reprimir a lasciva feminina e, pasmem, nada de juros bancários. Ishaq era membro do Conselho de Ideologia Islâmica, instituição que visava modelar as instituições existentes de acordo com o Corão, mas logo ele mesmo revelou a imprecisão dos seus objetivos, a não ser estudar uma proposta de todos os paquistaneses vestirem-se igual e usarem o mesmo tipo de automóvel (sic)!

Na outra, conversou com um tal de Ahmed, um homem decepcionado com as coisas do Paquistão, dizendo-lhe "Todo mundo aqui engana todo mundo. Políticos, funcionários públicos, todos". Lamentou ele que o seu pais fosse construído em cima do medo e do ódio.

Fundando o Paquistão


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A. M. Iqbal

Em 1947, os muçulmanos da Índia, bem menos de 10% da população, temerosos de serem engolidos por aquele mar de hindus, insistiram em ter um país próprio. Idéia que fora originalmente defendida pelo poeta A. Mohammed Iqbal, um homem que estudara na Inglaterra e na Alemanha, cognominado Muffakir do Paquistão (o filósofo do Paquistão) -, no ano de 1930

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M. A. Jinnah, "o pai do Paquistão"

(exatamente nas terras do antigo Sind, a primeira área do subcontinente indiano que fora islamizada). Aceita a proposta por Gandhi (que pagou com a vida por isso, sendo assassinado em 1948), o Paquistão nasceu, pela insistência do seu "pai fundador" Mohammed Ali Jinnah, como um refúgio de gente desesperada que emigrara em massa do norte da Índia. Nunca os dois países se entenderam. Para piorar a situação, a questão do Caxemira (população muçulmana, governo hindu) tornou-se uma permanente dor de cabeça para eles.

A ideologia islâmica

Enquanto isso, a nação muçulmana que se formava no Paquistão, composta por desgarrados, sem raízes, vindos de diversos cantos da Índia, com suas estruturas clânicas desmanteladas e seus costumes tribais abandonados, viu-se presa fácil dos mulás e dos militares. Enquanto a Índia consegue manter-se, ainda que formalmente, nos quadros de um regime tolerante, aceitando a rotatividade dos partidos políticos no poder, o Paquistão é comandado por um entre e sai de generais muçulmanos que, um após o outro, colocam-se como os defensores da fé. O islamismo é para eles o que o anticomunismo foi durante muitos anos para os generais latino-americanos, uma ideologia de afirmação do poder corporativo deles sobre o restante da sociedade.


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O Paquistão e suas províncias

O site recomenda

V.S.Naipul - Entre os fiéis: Irã, Paquistão, Malásia, Indonésia - 1981 (Cia das Letras,SP,1999)
V.S.Naipul - Além da fé: Indonésia, Irã, Paquistão, Malásia - 1998 (Cia das Letras, SP., 1999)


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