O rei caça-feiticeiras
Desde então Jaime obcecou-se pelo tema da bruxaria. A tal ponto que até um tratado
 Jaime I, perito em bruxarias |
escreveu sobre o tema: o
Demonologia. Jaime I, que estava longe de ser um primitivo, foi um monarca paradoxal. Ao tempo em que, em 1611, mandava imprimir a mais perfeita Bíblia até então traduzida para o inglês, a
King James Bible (afirmando definitivamente a estrutura do idioma que ajudou milhares de súditos a melhorarem a escrita e a fala, e fonte referencial de toda a literatura inglesa que se seguiu), foi o responsável pelo clima de caça às bruxas que se instalou na Grã-Bretanha durante o seu reinado (1603-1625).
As advertências de Shakespeare
Com a ascensão de Jaime I ao trono da Inglaterra em 1603, Shakespeare, o principal integrante do grupo Homens do Lorde Camarlengo (recém-promovidos e presenteados com uma Carta Patente), deve ter-se sentido na obrigação de agradá-lo. Para tanto imaginou apresentar uma encenação que confirmava as conhecidas suspeitas do novo soberano, isto é, que bruxas existem e que aqueles que teimam em seguir seus "oráculos imperfeitos" tendem a cumprir a trágica sina do traidor e assassino Macbeth.
Subvencionado com uma libré rubra que lhe dava direito, a ele e a seus companheiros de teatro, de desfilar na cerimônia de entronação do rei como King's Men, os Homens do Rei, Shakespeare acabou por escrever uma das primeiras peças de terror que se conhece, predecessora dos contos de Poe e de Stevenson.
Um peça política
 As feiticeiras de Macbeth |
Macbeth celebrizou-se assim
como uma sutilíssima obra de propaganda política, se bem que subliminar. Todos os que estavam próximos ao monarca, os cortesãos, os ministros, os capitães da guarda, e os súditos em geral, poderiam considerar suas possíveis intenções conspirativas caso fossem acometidas por elas como possíveis sinais de enfeitiçamento. Deles já se encontrarem de alguma forma possuídos, pois as bruxas, aquelas emissárias do diabo, sabiam perfeitamente conjurar os malignos poderes luciferinos contra o governo legítimo.
A história dessa peça mostra por fim como duas coisas aparentemente tão distintas, como o teatro e a política, são, por vezes, faces da mesma moeda. Tudo afinal é um palco só.
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