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O poder das bruxas
A perigosa previsão

"O mundo é todo um palco."
Lema do Globe Theatre, 1599

Retornando vitorioso de uma batalha recém-travada, acompanhado pelo seu amigo Banquo, Macbeth, um capitão-de-guerra do rei Duncan da Escócia, surpreendeu-se com o que encontrou pelo caminho. Nada menos do que três bruxas estavam reunidas numa charneca na trilha que tomara para voltar ao seu castelo. Impressionou-se com a aparência delas. Eram seres indefiníveis, "esquálidas e estranhas", e "que não parecem habitantes da Terra". Assombrou-se ainda mais quando elas, a quem ele jamais vira antes, chamaram-no pelo nome, prevendo que Macbeth, em breve, receberia o baronato de Cawder. E mais. Em bem pouco tempo, profetizaram, ele seria o novo rei da Escócia, apesar do rei Duncan não só estar vivo como gozando de perfeita saúde.

A ambição de Macbeth

Mal elas se volatilizaram, sumindo nos ares, chegou um mensageiro para confirmar: Macbeth era de fato o novo senhor de Cawder! O rei Duncan o indicara.
reprodução
Macbeth e Lady Macbeth
O vaticínio das bruxas se fizera num piscar de olhos. Foi a perdição de Macbeth. Dali em diante, tomado de furiosa ambição assassina, antes de morrer, carregou muita gente ao túmulo: o rei Duncan (a quem matou quando o hospedava em seu castelo), seu amigo Banquo, a mulher e os filhos de Macduff, e uma série de peixes menores, vítimas do seu desenfreio. Além disso, a demência que se apossou da sua mulher, que antes o incentivara ao crime - uma das mais célebres malfeitoras da literatura mundial, lady Macbeth, ela, depois de um tempo, por mais que limpasse as mãos jamais conseguia se desfazer da sensação que elas estavam sempre manchadas de sangue. Terminado tudo num banho de sangue.

A real motivação de Shakespeare

A razão de Shakespeare ter dado proeminência inicial às feiticeiras na tragédia Macbeth, escrita em 1605/6, não se deveu a nenhum ardil cênico para atingir excepcionais efeitos dramáticos, mas sim por motivação ideológica. O bardo esperava agradar James I, o rei que unificara as coroas da Escócia e da Inglaterra, que era convicto da influência perniciosa delas. E o rei ficara assim, um fóbico à bruxas, desde um pouco antes de se casar.

Em 1589, ainda jovem, ao atravessar o mar da Escócia em direção à Dinamarca para contrair núpcias com a princesa Anna, seu barco foi assolado por uma inesperada tempestade. Os horrores que ele passou a bordo foram de tal ordem que, depois, em terra firme, convenceram-no lá mesmo na corte dinamarquesa de o que sofreu resultara de um enfeitiçamento qualquer. Os vagalhões atendiam a um mau olhado.

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