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Leni, a Musa do Nazismo


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Leni Riefenstahl

Bailarina, artista, diretora e cineasta, Leni Riefenstahl, nascida em Berlim em 1902, tornou-se a principal musa do movimento nazista na década de 1930. Adolf Hitler, reconhecendo de imediato o seu grande talento, encarregou-a de ser a documentarista oficial do regime. Alguém que ao mesmo tempo em que registrava no celulóide as grandes aparições das massas, do Führer e do seu partido, expressasse uma estética adequada a chamada Nova Ordem.

O Conflito das Musas


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Leni, a pureza

Em termos de representação simbólica, os anos de 1930 a 1932 representaram um divisor de águas no cenário artístico e cinematográfico alemão. Entre essas duas datas, duas belas musas estrelaram com quase igual sucesso no cinema. Duas louras espetaculares, belíssimas, com um ano só de diferença entre elas, que iriam fazer nos anos futuros carreiras sensacionais, mas por caminhos ideológicos totalmente contrários. A primeira delas era Marlene Dietrich, que alçou-se como celebridade universal com o filme Der Blaue Engel (O Anjo Azul, 1930), no papel de Lola Lola, uma bailarina de um teatro de vaudeville, que, por sua irresistível sensualidade de sereia de taverna, arrasta para a desgraça um respeitável madurão, o professor Unrath. Marlene Dietrich iria carregar até o fim da vida a fama da mulher fatal, uma insolente destruidora de lares e de corações masculinos.


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Marlene, a promiscuidade

Durante a II Guerra Mundial, ela percorreu os acampamentos dos aliados para estimulá-los na luta contra Hitler. A outra loura foi o seu oposto. Leni Riefenstahl, tão bela como Marlene, alcançou um sucesso mais moderado fazendo um filme dirigido por ela mesma, intitulado Das Blaue Licht (A Luz Azul, 1932). Nela, interpretou o papel de uma jovem e casta montanhesa chamada Junta, que ao ir atrás de um tesouro oculto, uma pedra que projetava uma singular luminosidade, se desgraçava rejeitada pela comunidade aldeã.

Marlene e Leni


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Leni e Marlene, musas rivais em tudo

Desde então Marlene e Leni assumiram-se como ícones cinematográficos antagônicos. Quando Hitler ascendeu ao poder em 1933, Marlene Dietrich, a Lola, que de alguma forma identificara-se com o regime caído, com a permissividade e a tolerância da República de Weimar (1918-1933), tomou a estrada de Hollywood. Lá fez carreira em filmes comerciais, alcançando a fama como uma das grandes divas da meca do cinema. Leni ficou na Alemanha e virou uma das principais musas dos nazistas. Não só isso, Hitler a guindou para o posto de esteta oficial do regime.

Dois Cenários Distintos, Dois Mundos Opostos


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O mundo execrável de Lola

Lola e Junta não eram apenas figurações de duas personagens femininas, versões diversas da sexualidade e da castidade, mas propostas existenciais antagônicas da Alemanha daqueles tempos. O cenário em que atuava a bailarina Lola era uma sociedade de perdidos, de teatros sujos e mal freqüentados, envoltos em névoa de tabaco, onde a música de cabaré confundia-se com os pigarros e os urros lascivos dos freqüentadores. A gente corrompida que lá estava andava atrás da sensualidade vulgar que Lola, sentada sobre um piano ou numa banqueta, lhes oferecia em troca de alguns centavos. A imagem da bailaria de cabaré ficou para sempre associada à desordem e à relaxação dos costumes da época de Weimar, aos perigos que a sensualidade desenfreada conduzia a Alemanha respeitável (o professor Unrath).





 
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