A Divisão dos Artigos
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Basiléia, na Suíça. Onde a revolução acertou um armistício
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Na introdução, Kant reconhece que seu trabalho dificilmente será levado em consideração pelos políticos, que sempre são dominados pelos aspectos práticos e desdenham com orgulho o teórico, considerando-o "um pedante inofensivo", mas ele não poderia se furtar de dar sua opinião. Dividiu-o em artigos preliminares, em número de seis, e em artigos definitivos, em número de três. Os primeiros deles são simplesmente leis proibitivas cuja intenção é eliminar a situação de guerra e preparar a paz, pois Kant considerava que o estado de guerra estava mais próximo da natureza humana que o estado de paz. A sociedade entregue a si mesma, pensava ele como Hobbes, era danosamente conflitante, sendo necessário adotar os preceitos determinados pela
Vernunft und Aufklärung,(a razão e o esclarecimento).
República e Comércio
Inspirado nas grandes cartas de direitos, a americana de 1776 e a francesa de 1789, afirmava que a verdadeira paz só poderia emergir de regimes republicanos. Portanto, uma posição contrária a de um outro ensaio sobre o mesmo tema, o do padre Saint-Pierre (que Kant conhecia pela reapresentação feita por J. J. Rousseau, intitulado
Tornar a Paz Perpétua na Europa, reeditado em 1756). A sua constituição está fundamentada nos princípios da liberdade de todos os membros da sociedade, no princípio de dependência em que todos estão submetidos a uma única legislação em comum e, finalmente, no princípio da igualdade de todos os cidadãos. A constituição republicana, ao ampliar a base das decisões, tornava bem mais difícil uma declaração de guerra do que um regime despótico, em que, muitas vezes, era fruto do capricho ou do orgulho ferido do príncipe.
A Sociedade das Nações
Para assegurar essa paz, seguindo o padre Saint-Pierre, ele previa a formação de uma Sociedade das Nações composta por uma federação de repúblicas livres e independentes. Federação que, começando pela Europa, terminaria por congregar o mundo inteiro através de garantias mútuas e respeito à autodeterminação dos povos. Ele condenava o colonialismo como uma evidente violação aos princípios de liberdade das nações, e acreditava, ingenuamente, como era comum entre os iluministas, que a expansão das práticas comerciais pelo mundo afora tornaria as guerras desnecessárias, ao mesmo tempo em que expandiriam "o conceito do direito mundial da cidadania".
Moral e Política
No apêndice do ensaio, Kant faz uma exortação para que, ao contrário do preceito de Maquiavel, a moral e a política deixem de atuar separadas, ou de costas uma para a outra, e voltem a se encontrar para poder construir um república federada mundial.
Conquistando a paz aos poucos
Passados mais de dois séculos do aparecimento do trabalho de Kant, a sociedade européia deu nos últimos anos os passos mais firmes na adesão aos postulados do velho pensador. O próprio Kant tinha consciência de que a idéia de uma paz perpétua "é um problema que vai se resolvendo aos poucos, aproximando-se com maior rapidez do fim desejado graças ao movimento do progresso [...] que no futuro será mais rápido e eficaz do que no passado." É de se perguntar quantas vidas teriam sido poupadas, quanta destruição e ruína evitada nesses quase dois séculos se, pelo menos uma vez, a prática tivesse rendido homenagem à teoria. Se, pelo menos uma vez, a estupidez humana capitulasse perante a razão!
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