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A sucessão do Profeta

Quando Maomé morreu em Meca, em 632, provavelmente aos 62 anos de idade, ele não deixara nenhuma determinação quanto a sua sucessão. Seus herdeiros, Abu Bekr e Omar, pertenciam ao seu círculo familiar, e decidiram-se autodenominar-se de califas (os sucessores), acumulando funções religiosas e seculares, sem porém ter a pretensão de acrescentar seja o que for à palavra e à obra do Profeta, preocupando-se mais em preservar e em difundir seus ensinamentos.

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A não existência de um corpo sacerdotal separado do estado, não gerou no mundo muçulmano o conflito tão comum na cristandade entre o poder temporal ou secular (exercido pelo imperador ou pelo rei) e o poder espiritual (representado pelo papa ou pelo sacerdote). Desconhece o Islã, a não ser recentemente, a independência dos poderes. Em geral, num país muçulmano, religião e estado encontram-se misturados, fundidos numa coisa só - a ordem islâmica. Os principais califados, sucessores do Profeta após a sua morte, foram o Califado de Abu Bekr (632-634), o Califado de Omar (634-644, o Califado de Otman (644-656), o Califado de Ali (656-661) e o Califado de Moawiya I (661-680), enquanto as principias dinastia que dividiram o vasta império maometano entre si foram a dos Ominadas (Império Árabe), a dos Abássidas ( Império Muçulmano) e a dos Fatímidas (o Reino do Egito).

A expansão

Nenhuma das grande religiões universais conheceu uma expansão tão acelerada como o Islamismo. Tendo como seu berço geográfico a Península Arábica, mais precisamente a cidade de Meca, no final do século VII ela já havia conquistado ou convertido a maior parte das cidades do Oriente Médio, expulsando facilmente o domínio cristão-bizantino de lá. Em 711, o general Tárik, chefe de tribos berberes do norte da África, desembarcou no sul da Península Ibérica, dando início a sua submissão. Só não conseguiram tomar a França porque foram derrotados por Carlos Martel em Poitiers em 732. Detidos ao ocidente, o fluxo islâmico voltou-se para o oriente. Em 751, um exército árabe derrota os chineses no Turquestão, implantando lá a bandeira do Profeta (verde com a lua crescente em seu meio). Outra onda de expansão parte de Bagdá, na Mesopotâmia, e, atravessando o Golfo Pérsico, alastra-se em direção ao Irã, ao Afeganistão e ao norte da Índia. Dali, retomando forças, desloca-se para a Malásia, para a Indonésia, chegando até a ilha de Mindanao no sul das Filipinas. Em apenas quatro séculos, de 650 a 1050, considerados a Idade de Ouro do Islã, uma impressionantes extensão de terra, com milhões de habitantes, convertera-se à religião do Profeta Maomé.


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O Domo da Rocha, mesquita de Jerusalém

A reação ao islamismo

Para o historiador Henri Pirenne foi o império árabe, surgido assim quase do nada, quem forçou a Europa, num gesto defensivo, a tentar restaurar a antiga grandeza do império romano do Ocidente, pelas mãos de Carlos Magno, rei dos francos, que, em 800, foi proclamado em Roma Imperador do Ocidente. As Cruzadas, conclamadas pelo papa Urbano II, em 1095, nada mais foram do que uma grande contra-ofensiva cristã para aliviar o sufoco que a gente do Profeta submetera a cristandade oriental e ocidental. O esfacelamento do império muçulmano em vários califados e emirados é atribuído a um contradição típica dos povos nômades. Sendo gente do deserto, vagando de um lado para o outro, as tribos nômades que formavam a massa das tropas islâmicas dessa primeira fase, se bem que vocacionadas para a guerra de conquista, terminavam por debilitar-se ao dominar os povos sedentários. Além disso, os califas não conseguiram manter uma unidade de comunicações, como as estradas e as rotas navais foram para os romanos, nem criar uma burocracia universal que servisse como elo de ligação entre o todo e as partes, como por exemplo, foram os mandarins no Império da China. Com o tempo, as províncias (Córdoba na Espanha, Damasco na Síria, Bagdá, no Iraque) formaram califados independentes, enfraquecendo o império. Mas isso deu-se no campo da política, porque no que toca a religião, o islamismo, tendo por base a Mesquita e o Corão, continuou ativíssimo e altamente sedutor, convertendo milhares de homens e mulheres à fé do Profeta, atuando num arco que se estendeu do oceano Atlântico até o Mar da China, do coração da África Negra, no Sudão, até as estepes asiáticas da Eurásia.


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A península arábica, berço do islamismo





 
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