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O cenário histórico

A região da Arábia na época de Maomé, isto é entre os séculos VI e VII, pertencia a periferia do Império Romano do Oriente (Bizantino), também considerada área de interesse marginal pela outra potência daquela época, o Império Persa ( Sassânida).

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Maomé na gruta do Monte Hira junto aos primeiros fiéis

A Arábia por sua vez, uma península de mais de 3 milhões de km2, nada mais era do que um imenso deserto, habitado aqui e ali por pequenas tribos beduínas que, com suas caravanas de camelos, cortavam suas areias, dunas e montanhas, em todos as direções daquele mundo desolado. Elas viviam em intermináveis conflitos, travando guerras entre si, ou pela posse dos oásis ou para vingar um saque a que foram submetidas. Cada uma das tribos tinha um culto em torno dos seus ídolos particulares. Maomé, importando o monoteísmo de suas viagens, também trouxe na bagagem a idéia de um império da lei e da ordem. O resultado disso foi o Islã, a fusão de um mística religiosa baseada num deus único, omnisciente e omnipresente, com um estado de lei e ordem comum a todos habitantes do deserto. O seu objetivo era estabelecer a paz entre eles, sendo que o sentimento de fraternidade islâmica deveria superar os códigos limitados dos clãs e das tribos, convertendo-as numa Umma, isto é a imensa comunidade dos crentes em Alá.

Os preceitos da nova fé

O Islamismo é uma religião que chama a atenção por sua absoluta simplicidade.

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Interior da Mesquita de Córdoba, Espanha

Talvez por ter nascido no deserto e não ter encontrado de imediato nenhum império poderoso que o acolhesse, como ocorreu com o cristianismo em Roma (tornado religião oficial em 390) e com o zoroastrismo no Reino da Pérsia, o Profeta dispensou os aparamentos litúrgicos mais rebuscados, bem como um cerimonial solene e pomposo, tão comuns às outras religiões. Se bem que aceita a existência de alguns mensageiros divinos, não há santos nem outros intermediários significativos entre o muçulmano (aquele que se submete a Deus, o crente) e o Único (Alá). O fiel comunica-se diretamente com o Todo-Poderoso, perante quem todos são iguais, sem distinção de qualquer espécie. Frente a Alá, não há ricos nem pobres, nem nobres nem parias. Na sua época, o islamismo foi o mais poderoso instrumento de igualitarismo entre os homens, pois a pregação da caridade e da fraternidade tornou-se uma ponte que ligava os extremos sociais e aplainava os preconceitos contra os pobres.





 
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