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O Islamismo


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Geograficamente, o Islamismo, religião fundada pelo profeta Maomé, é uma fé que predomina nos países do sol, aclimatizando-se melhor na longa faixa de terra que, partindo das praias africanas do Atlântico, segue para o Leste pela borda meridional do mar Mediterrâneo, inclinando-se depois em direção à Mesopotâmia, passando pela Península Arábica, alcançando o noroeste da Índia. Dali chega, pelo Oceano Índico, até as ilhas tropicais da Indonésia e das Filipinas. Outro dos seus longos braços avançou célere para a Ásia Central, afastando os ritos fetichistas e pagãos, realizando conversões em massa. Nos seus 1400 anos de existência, o islamismo conseguiu a façanha de converter 1/5 da humanidade a sua fé. Trata-se de uma religião que abriga todas as raças e todas as línguas. Talvez, exatamente por esse seu ecumenismo, por essa tentativa de abraçar o mundo inteiro, é que ela terminou por conflitar-se com o cristianismo, que também nasceu no mesmo espaço geográfico e igualmente abriga o desejo de salvar e converter todos a fé de Cristo.

Maomé

Ao contrário de tantos outros profetas, que só conseguiram sedimentar sua mensagem por meio de apóstolos, muito tempo depois da morte, Maomé viu ainda em vida sua obra ser consagrada. Em 630, depois de vinte anos de pregação, ele entrou em Meca como um vitorioso.

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O arcanjo Gabriel aparece para Maomé

Conseguira converter ao Islã, a nova fé anunciada por ele, não só a cidade principal da Arábia, como toda a grande península da qual ela fazia parte. Nascido em Meca em 570, durante anos ele viajara como mercador pelas rotas dos desertos Saarinos, atividade que permitiu-lhe juntar um bom patrimônio, especialmente devido ao seu casamento com a rica viúva Cadija. Com o tempo, ele sentiu-se cada vez mais envolvido por preocupações religiosas, entregando-se à meditação em breves retiros que começou a fazer. Somente aos 40 anos, ao redor de 610, ele teve por fim uma revelação, quando o arcanjo Gabriel fez-lhe ver que o Todo-Poderoso o escolhera como o seu mensageiro. Retirado para uma gruta no Monte Hira, Maomé terminou por confirmar a aparição, dedicando-se então a pregar a boa nova. Só havia um Deus! Era Alá, e todos deveriam resignar-se perante ele (islam).

A revelação do Monte Hira

A escolha dele como "apóstolo de Alá" deu-se sob duas formas: uma intelectual e outra emocional. A primeira delas, a revelação propriamente dita (tanzil), fez dele o redator da Escritura Sagrada, do Corão (recitação) trazida a ele por um anjo. A outra parte da revelação ocorreu em forma de uma inspiração (nahyi, ilman), responsável pela conversão do coração do Profeta, passando a regular a sua conduta e servindo como exemplo aos fiéis. Maomé confiou a sua visão a sua mulher Cadija, que tornou-se sua primeira seguidora, convertendo a seguir os seus próximos. A sua tentativa de ganhar o coração dos corachitas, tribo em que nascera, porém, trouxe-lhe os primeiros dissabores. Maomé, como a maioria dos profetas, demorou para ser bem aceito na sua cidade, mas mesmo assim ele não esmoreceu em fazer da nova crença um poderosos instrumento para estabelecer novas bases sociais para os povos do deserto. O ponto da discórdia entre Maomé e os principais de Meca, foi justamente a condenação dele à adoração dos ídolos.

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Caligrafia árabe em estilo thuluth

Já naquela época, Meca, por ser o local onde se encontrava o sagrado poço de Zem-zém (do qual o avô de Maomé foi zelador), de onde, desde tempos imemoriais, jorrava água, era uma cidade que acolhia peregrinos vindos dos diversos cantos do deserto. Os comerciantes da praça, e toda aquela chusma que vivia ao redor da Caaba, a pedra negra sagrada, (depois designada como Baitullah, a Casa de Alá na Terra) temiam que a pregação contra a idolatria afastasse os visitantes, estragando-lhes o negócio. O desentendimento deles com Maomé, fez com que o profeta se retirasse para a cidade vizinha de Medina. Este movimento, chamado Hégira (retiro), assinalou a data da Nova Era (16 de julho de 622), ano um do calendário muçulmano. Entrementes, o número de seguidores (muhadjirun) aumentava, opondo-se aos que se negavam à conversão, os munafiqun (os hipócritas, os que não aceitavam a nova fé).

O embate final deu-se na "batalha do fosso" em Medina, quando a cavalaria enviada de Meca fracassou em tomar de assalto as posições do Profeta. Esta vitória, ocorrida em 627, abriu caminho para o Tratado de Hodaibyia, de 629, que assinalou a capitulação dos habitantes de Meca, permitindo que o Maomé retornasse vitorioso a sua própria casa.

Neste espaço de tempo, o profeta passara por três fases distintas: inicialmente, numa época entremeada por meditações e dúvidas, ele fora o eleito por Alá como o seu Anunciante, depois revelou-se um comandante de homens, um general, um estrategista, para finalmente terminar os seus dias como um conquistador e um estadistas, aquele que lançaria as bases de um estado islâmico.





 
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