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O Escurecimento do Mundo

"Quem quer que use máquinas ganha um coração de máquina."

Paul Ernst - Der Zusammenbruch des deutchen idealismus, 1918


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Indústria, um vulcão poluidor

A instrumentalização da razão operava-se pela adoção da técnica. As máquinas eram as principais responsáveis pela "desumanização" e pelo crescente "escurecimento do mundo", fazendo com que se desse o fenômeno do que Ernst Niekisch chamou de Menschenfressen Tecnick, a tecnologia que devora os homens. A mentalidade tecnológica havia posto em fuga os deuses, provocava a destruição da terra, massificava os seres humanos e perseguia tudo o que fosse realmente criativo e livre. O céu, morada do divino, dos mitos, dos espectros heróicos do passado, fora varrido do imaginário do homem moderno devido à "fúria da técnica" então desencadeada e pelas ilimitadas possibilidades de organização - a excessiva divisão do trabalho - do ser humano comum.

A Nova Mística Antimoderna


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M.Heidegger (1889-1976)

Quem como Heidegger teve um pai artesão chocava-se com os processos industriais do taylorismo e do fordismo, predominantes no mundo fabril, enquanto que parece natural a quem teve uma intensa formação religiosa como ele entender que o universo das sombras, dominante no mundo moderno, resultou do fim do sagrado. Mas então veio Hitler para fazer o céu de novo resplandecer. Uma nova mística, a do Volk und Rasse, a do povo e da raça, afugentava o cinza da racionalidade tecnológica, abrindo uma brecha para a vida, para o instinto, para a coragem, para heroicidade. Com o Führer a imaginação suplantara a razão!

A Técnica entre os Antigos e entre os Modernos

"Nasce a ciência, desaparece o pensamento."

M.Heidegger

Talvez tenha sido o moderno pensamento alemão que mais tenha levantado obstáculos à introdução da tecnologia e ao mundo das máquinas. O que não deixa de ser um paradoxo tratando-se de um dos países que mais rapidamente executou a revolução fabril no século XIX, demonstrando notável aptidão para as artes mecânica e para as ciências naturais. A possível razão disso deve-se ao movimento romântico alemão do século XVIII e XIX ter-se oposto firmemente ao racionalismo predominante na vizinha França e ao mecanicismo vitorioso na Grã-Bretanha. Para muitos adeptos do romantismo a ojeriza à técnica "desumanizante" passou a fazer parte do caráter cultural do "verdadeiro alemão". Assim é que vamos encontrar, ainda que desarticuladas e ideologicamente divergentes, várias manifestações hostis à maquina no jovem Marx, em Nietzsche, em Spengler, em Simmel, em Sombart, em Heidegger, e até nos "marxistas ocidentais" como Adorno e Horkheimmer. Quase todos eles, independentemente de inclinarem-se à direita ou à esquerda, afinando as vozes na denúncia da "alienação", da "instrumentalização da razão", na "padronização castradora", "diabólica", "vulgar", etc. e tantos outros epítetos lançados contra o moderno mundo da indústria e suas inevitáveis conseqüências. Heidegger, em conferência realizada em 1933, a Questão da técnica, inclinou nitidamente a favor da nostalgia ao identificar a existência entre os gregos antigos de uma tekné (técnica) positiva, "esclarecedora", contrapondo-a à moderna, apontada como sombria, opressora do homem, "falsificadora do ser".

Técnica para Heidegger

Antigos gregos Moderna
Ela revelava, não fabricava. Dirigia as coisas para a plenitude, despertando para a aurora da verdade. É violenta, exercida sobre o ser pelo existente. Acionada para produzir e não para esclarecer, levando o mundo ao obscurecimento, à alienação desumanizadora e à coisificação e reificação.

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