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Existencialismo e Fenomenologia

gravura de F. Maserrel, 1929

   Da floresta ao sol: o ser    em busca da existência
Heidegger, para tanto, uniu o existencialismo de Kierkegaard e a fenomenologia do seu mestre Husserl, abolindo com os dualismos que caracterizavam a metafísica clássica (corpo/alma, interior/exterior, subjetividade/objetividade, ser/parecer), mantendo porém a irredutível separação do "eu" com o seu "próximo". Ao privilegiar no seu famoso livro Zein und Zeit (Ser e Tempo, 1927), o retorno da filosofia para o ser (ontologia), imaginou que ele doravante estaria aberto, livre, pronto para eleger o que desse e viesse. "Ser-no-mundo é morar no mundo", e não estar tenuamente ligado a ele. "Ser", para Heidegger, como observou Sartre, "é ser as próprias possibilidades: é fazer-se ser". O que importava era a autenticidade da decisão tomada. O seu limite era dado pelo tempo, pelo prazo de vida que cada um tinha, porque era a morte quem revelava a finitude do ser humano. Não havia mais céu para acolher a alma, nem o regaço de Deus para depositar-se as inquietações e as esperanças, o ser estava entregue a si mesmo, ao nada (niilismo). Uns aceitavam as coisas assim como são, sobrevivem apenas, "vivem" o seu cotidiano sem grandes inquietações, sem voltar-se sobre si mesmos. Outros, ao contrário, "existem", testam os limites da vida, lançam perguntas, indagam, enriquecem o ser, angustiam-se, querem fugir do tédio e da ansiosidade, sensibilizam-se.

Linhas Abertas

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   H.Arendt
Apesar do envolvimento de Heidegger com o nazismo, quando o ser-ai dele integrou-se no movimento nacional-socialista a partir de 1931-2, sua filosofia permitiu uma abertura de linhas e de decisões tão amplas que os seus discípulos, admiradores e seguidores, sentiram-se autorizados a seguir pelas estradas que bem lhes aprouvessem.
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   J.P.Sartre
Os casos mais exemplares, em que dois seguidores de Heidegger tomaram caminhos totalmente contrários ao do mestre, foram os de Hannah Arendt (a jovem e talentosa estudante judia que foi sua amante), uma exemplar crítica do totalitarismo, e o do filósofo Jean Paul Sartre, o mais engajado nas causas da esquerda dos pensadores do após-guerra de 1945. (*)

(*) Hannah Arendt celebrizou-se pelo ensaio Origins of Totalitarianism,(Origens do Totalitarismo), de 1951. E J.P Sartre pelo título marcadamente heideggeriano L 'être et le néant (O Ser e o Nada), de 1943.

A Revolução Parda

Para Victor Faria, um ex-discípulo que tornou-se um acerbo crítico de Heidegger nenhuma surpresa houve na adesão dele ao nacional-socialismo. O seu passado identificado com o catolicismo ultraconservador, sua admiração pelo monge xenófobo Abraham a Sancta Clara, e sua simpatia para com as bandeiras do nacionalismo extremado do após-guerra fizeram com que a sua indicação pelos nazistas para o cargo de novo reitor da Universidade de Friburgo, em 1933, se tornasse por assim dizer natural. A sua caderneta de membro do partido, registro 312.589 4 Gau Baden, aponta o dia 1º de maio de 1933 como o da sua admissão, a qual se estende até 1945. Heidegger foi um entusiasta da revolução parda (a revolução "dentro da ordem") proposta por Hitler, e foi recebido de braços abertos pelo ministro da Cultura do III Reich, Alfred Rosemberg, porque o nome de Heidegger - uma personalidade filosófica internacionalmente reconhecida e alto membro do estabelecimento acadêmico alemão -, trazia respeitabilidade à Nova Ordem. Ele, por sua vez, sentiu que ancorado na revolução parda, poderia lançar-se como o führer da filosofia alemã para concretizar uma nova metafísica. Desta maneira cumprir-se-ia a afirmação
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   O poeta, o chefe, e o filósofo (Hölderlin, Hitler    e Heidegger)
dele de que a trindade formada pelo Dichter, Führer und Denker (o poeta, o líder político e o filósofo), eram os elementos constitutivos de uma nação: o representante das artes, era Hölderlin; o fundador do Estado era Adolf Hitler; e a autoridade pensante, era ele mesmo, Martin Heidegger.

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