BUSCA + enter






Goethe na Itália


tela de J.H.W.Tischbein

Goethe na Itália

Depois de muitos anos de expectativa, apaixonado pelas coisa da Itália e admirador da cultura que ela herdara do mundo greco-romano, Goethe, o maior poeta da língua alemã, conseguiu pôr-se a caminho da bela península. Durante dois anos, entre 1786 a 1788, ele marchou do norte para o sul, e dali de volta para casa, embevecido com a Itália. O resultado foi a edição do seu diário de viagem, aparecida em 1811, e que, desde então, serviu não só como um excepcional roteiro para o viajante inteligente, como também uma possibilidade de observar-se de perto as interessantes reflexões dele sobre o que se passava a sua volta. Esta é um das razões que fez Goethe ser considerado o fundador do turismo moderno.

Em marcha

Por duas vezes, Goethe, ainda jovem, chegara à fronteira da Itália sem transpô-la. Olhara-a do alto do São Gotardo, na última vez com seu protetor, o príncipe de Weimar, mas tivera que dar a volta. Por fim, no final do verão de 1786, em setembro, ele conseguira os recursos necessários para realizar o seu grande sonho: conhecer a terra de Dante e de Tasso.


reprodução

Um ponto de descanso para os viajantes

Quando ele passou pelo tempestuoso Rio Ádige, deixando boa parte dos Alpes para trás, entrando no território do Tirol italiano, fazia exatos 30 anos que Winckelmann, um outro alemão apaixonado pela cultura greco-romana antiga, fora assassinado em Gênova quando retornava à pátria, em 1756. Helenista e arqueólogo emérito, Wincklemann incendiara o coração dos seus conterrâneos descrevendo as maravilhas artísticas que encontrara por toda a parte na Itália. Lá, naquela terra do sol, é que a beleza encontrava-se imortalizada.

O clássico contra o bárbaro


reprodução

Apolo contra o bárbaro Wotan

Para os artistas alemães do século XVIII, o culto ao clássico, a admiração pelos cânones de Policleto ou Praxíteles e o encanto pelo preciso verso rimado de Ésquilo, a civilização e disciplina que representavam, era uma maneira de fugir da herança da barbárie germânica. Entendiam a cultura dos tempos áureos de Atenas e de Roma como um instrumento eficaz para escovar a pele dura e áspera do godo semi-selvagem da floresta. Apolo contra Wotan. Goethe viu nela algo mais. O clássico servia também para esculpir um novo ideal de ser humano, alguém contido que soubesse dominar as inclinações instintivas da natureza, que apreciasse a boa música e um belo quadro, e que se elevasse acima das mesquinharias dos localismos que o cercavam, que olhasse para o além-fronteiras, para os patamares mais elevados que a humanidade poderia alcançar. O poeta estava tão contente em viajar na Itália que saudou até "a poeira que cobre minha carruagem", temendo que com isso o considerassem um criançola ou um bobo alegre.





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade