BUSCA + enter






O martírio de Giordano Bruno

O temperamento de Bruno


reprodução

Estátua de Bruno em Roma

Afinal de contas qual era a causa dessa infeliz celeuma? Testemunhos disseram que muito do desenlace infausto, para Bruno e para a Igreja Católica, deveu-se à maneira de ser do filósofo. Bruno, um italiano de Nola perto de Nápoles, onde nascera numa família da pequena nobreza local em 1548, era um temperamental, um tipo vulcânico, dado a formidáveis explosões coléricas. Para um homem que se considerava em missão, ele era um desastre. Se medisse as palavras, se fosse mais sutil em defender suas idéias, mais sedutor, talvez não tivesse aquele fim terrível. Provavelmente o manteriam na prisão e só o queimariam em efígie. Tratava-se de um polemista nato, vibrante, desaforado, um iconoclasta. Arrogante, disse aos inquisidores que já começara a duvidar dos dogmas da Igreja ao entrar no mosteiro aos 17 anos, e que sabia bem mais teologia do que todos os que o interrogavam.

Errante e cosmopolita


reprodução

Alquimistas e suas experiências

Ao ver desde cedo fechada a carreira acadêmica e sacerdotal por ter sido ameaçado de excomunhão aos 28 anos (ele entrara como noviço no Mosteiro de San Domenico Maggiore, onde Tomás de Aquino morrera), Bruno tomou a estrada da vida. Forçou-se a peregrinar de cidade em cidade, tornando-se um cosmopolita a contra-gosto (*). Estar em Londres ou em Praga, em Wittemberg ou em Paris, era-lhe indiferente. Monge errante e renegado, estar na corte do rei francês ou num salão de conferências de uma universidade alemã não lhe causavam qualquer estranheza. Qualquer lugar lhe bastava. Tanto é assim que um dos seus ditos favoritos foi: "Al vero filosofo ogni terreno è patria" (Para o verdadeiro filósofo qualquer terreno é a sua pátria).

Nada pois espantar-se em morar ele em Genebra, graduar-se em teologia em Toulouse e logo ingressar no Colégio dos Leitores Reais de Paris. Não eram só as fronteiras dos reinos e dos principados que ele ignorava. Estar a Europa envolvida na Grande Guerra Civil Teológica travada desde 1517 entre católicos e protestantes, não o abalava. Nada viu de mal em ser católico e ao mesmo tempo ingressar numa congregação luterana na Alemanha.

(*) Ele desconfiava dos césares que queriam unificar a Terra dotando-a de uma só lei e uma só fé, deplorando as técnicas que faziam com que os povos se aproximassem exageradamente. A simples existência das montanhas e dos mares era um advertência feita pela natureza para que cada povo fosse mantido no seu devido lugar. Melhor que assim fosse para manter-se a paz, pensava ele. Bruno enfim, opunha-se à globalização. O que não deixa de ser contraditório num pensador que queria derrubar os muros que punham limites ao universo, mas aconselhava a manutenção deles aqui na Terra.

| |

A execução de Bruno | O temperamento de Bruno | A intolerância das Igrejas | A utopia de Bruno | A ironia de Galileu | Bibliografia



 ÍNDICE DE CULTURA E PENSAMENTO





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade