A Convocação do Júri
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Apolo, defensor de Orestes
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A deusa, ignorando as críticas, manda que o heraldo toque a trombeta convocatória. Para formar o corpo de jurados, ela "recolhe a flor e a nata da minha cidade", presidindo ela mesma o tribunal para que as regras sejam entendidas por todos. No papel de acusador, quem se apresenta é o corifeu, o líder do coro, enquanto o deus Apolo serve a Orestes como seu defensor e testemunha de defesa. Orestes reconhece a autoria do crime, mas invoca a determinação de Apolo. O corifeu alega que matar a mãe é hediondo, mas Apolo diz que crime pior cometeu Clitemnestra, porque além dela assassinar o seu esposo, ela matou um rei, alguém ungido de autoridade por Zeus todo-poderoso. Encerrado o confronto, "disparadas as flechas", como diz o corifeu, todos aguardam a sentença do júri. Todos eles então se erguem e vão depositar seus votos numa urna especial, sob os atentos olhares de Palas Atena.
A Sentença de Palas Atena
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Atena desempata a favor de Orestes
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Como deu-se um empate entre os dez votantes integrantes do júri, Atena desempatou a favor do Orestes (
in dubio pro reo). Na sentença ela apela para que todos respeitem a decisão soberana do júri, pois dali em diante aquele seria o tribunal sagrado de todo o povo do Egeu, habilitado para proceder com os crimes de sangue. Erguido na colina de Ares, aquela rocha do medo e do respeito, ele manteria os cidadãos afastados do crime. O venerável tribunal será virgem em corrupção e severo vigilante, sempre pronto em dar segurança a quem dorme. Mas o coro não se conforma com a sentença,
nem com a existência do tribunal, queixando-se de que aquilo tudo devia-se a juventude dos deuses, que rompiam com um antigo costume, e que dali em diante eles não saberiam que destino dar às deusas da Noite (as Fúrias). Exaspera-se. O coro diz que não quer mais viver naquela cidade. Atena o demove. Assegura que as Fúrias terão um lugar especial de culto na cidade. De entidades vingadoras, sem pouso fixo, serão chamadas de Euménides, as benfeitoras. Apaziguados os ânimos, a peça se encerra com o grande cortejo presidido pela deusa Atena abandonando o monte Ares e dirigindo-se para a cidade.
Conclusões
O acolhimento das Fúrias na cidade, elegendo-as como as protetoras dos suplicantes, e a pacificação das partes enredadas na tragédia dos Átridas assinalam um momento importante na história dos gregos. O terrível ciclo que envolvia o crime e a necessária vingança tinha sido rompido. Orestes sai do tribunal homem livre. Ninguém mais poderia atentar contra a vida dele. Assim, ele se encontra liberado para dar início a uma dinastia purificada dos delitos e abominações cometidos no passado. Uma nova divindade assume a função de ser a responsável pela justiça. Ao invés dela estar como antes, entregue a deidades primitivas do mundo subterrâneo, assustadoras, irracionais e vingativas, como eram as Fúrias, dali em diante é a bela deusa Palas Atena, nascida diretamente da cabeça de Zeus, um símbolo da razão, quem estará sempre presidindo os julgamentos de sangue no tribunal do areópago. É essa transição das terríveis forças da natureza darem lugar aos ditames das instituições estáveis e permanentes, comandadas por uma divindade urbana, que o poeta celebra com sua trilogia. Trata-se de um momento mais elevado da humanidade, onde a cegueira vingativa dos tempos primitivos da sociedade dá espaço ao bom senso e à calma aplicação da justiça.
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O mundo subterrâneo, derrotado pelas forças da razão
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