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A Vingança dos Irmãos


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A porta do tesouro dos Atreus em Micenas

Orestes, o filho desterrado de Agamenon, atiçado pelo deus Apolo, é induzido à vingança. Ele deveria cumprir os desígnios da guénos, o compromisso em que pessoas do mesmo sangue tinham de vingar os seus mortos em crimes de sangue. Nada mais do que a conhecida vendetta, tão praticada entre os povos mediterrâneos. Ele deveria matar Clitemnestra e Egisto, a sua própria mãe e o seu amante. Em companhia do seu amigo Pilades, Orestes retorna a Argos clandestinamente. Ao dirigir-se à sepultura do pai onde iria proferir os votos de realizar a vingança, ele se depara com a irmã. Electra lá estava em companhia de algumas servas para fazer reparos na tumba do rei assassinado. Dá-se então a anagnorismós, o reconhecimento dos dois irmãos que não se viam há anos. Enquanto isso, Clitemnestra é atormentada por pesadelos que prenunciam a sua desgraça. Orestes, insinuando-se no palácio real, primeiro consegue apresentar-se a Egistro sem que este o reconheça. Não demorou em matá-lo. Em seguida, corta o pescoço da sua mãe. Longe porém estava a paz. A partir do momento do crime, o jovem passa a sofrer os tormentos da culpa. Vê-se assaltado pela ánoia, a loucura que acomete aquele que ousa derramar o sangue da sua própria gente. Ao assassinar a sua mãe, ele desencadeia a perseguição das Erínias, as Fúrias, que passam a atormentá-lo.

Os Crimes dos Átridas

Atreu Junto com o irmão Trieste envolveu-se na morte do meio-irmão. Depois de ter expulsado Trieste de Micenas, serviu a carne de três sobrinho ao irmão falsamente conciliado com ele.
Agamenon Filho de Atreu. Rei de Micenas. Sacrificou a filha Ifigênia antes de partir para a guerra de Tróia. Na volta morre assassinado num complô feito pelo amante da sua mulher.
Menelau Irmão de Agamenon. Rei de Esparta, tem sua mulher Helena raptada por Paris, principe de Tróia, e é obrigado a lutar por dez anos para recuperá-la.
Orestes Filho de Agamenon. Principe de Micenas. Obedecendo às leis da vingança, mata a Clitemnestra sua mãe, e o amante desta, Egisto. É absolvido no areópago.

As Fúrias


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Orestes perseguido pelas Fúrias

As Erínias, ou Fúrias, era divindades das profundezas ctônicas que ficavam um tanto à margem da vontade dos deuses olímpicos. Eram forças primitivas da natureza que atuavam como vingadoras do crime, reclamando com insistência o sangue parental derramado, só se satisfazendo com a morte violenta do homicida. Os gregos as representavam de um forma pavorosa, como monstros alados, em cuja cabeleira nasciam serpentes, sempre empunhando chicotes e tochas acesas, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais. Supunha-se elas serem muitas, mas na peça de Ésquilo elas são apenas três: Alepo era a que seguia o infrator sem parar, ameaçando-o com os fachos acesos, não o deixando dormir em paz; Tisífone açoitava os culpados, enquanto Megera, a terceira das fúrias de Ésquilo, gritava ininterruptamente nos ouvidos do criminoso, lembrando-lhe das faltas que cometera. Elas, essas "sentinelas da conduta humana", eram a representação simbólica das culpas que atormentavam aqueles que atentavam contra os seus, quem voltava o punhal contra a gente do seu mesmo sangue.

Os Preâmbulos do Julgamento


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Atena, a deusa sábia preside o tribunal

Desesperado pelo ataque das Fúrias, Orestes implora o apoio de Apolo. Afinal fora o deus quem o levara àquela situação. A divindade então o transporta até um monte da cidade de Atenas, a colina de Ares, local onde será construído mais tarde o areópago (o supremo tribunal), e pede à deusa da cidade que providencie um julgamento ao seu protegido. A deusa assim o faz. Ela percebe que a instauração de um júri se prestará para por fim ao "veneno do ressentimento" que esse tipo de crime causava. Era a oportunidade para instituir um tribunal augusto que se prolongará pelos tempos afora, rompendo o trágico ciclo dos crimes de vingança que não tinham paradeiro, pois sempre havia em algum lugar um parente empunhando armas, querendo fazer justiça com as próprias mãos. O coro, representando a opinião pública, reclama por sangue. Não quer saber de tribunal nenhum. Acredita que dar a Orestes a chance de um julgamento abriria caminho "para a rota da licença", fazendo com que, doravante, os filhos se sentissem estimulados a vingar-se nos pais, visto que a ira das Fúrias "não poderia castigar" a Orestes. Pensam que a atitude da deusa incitará a que se desonre a justiça.





 
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