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Ésquilo e o Júri Divino


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A máscara de Agamenon

Há 2.500 anos, Ésquilo, o mais famoso autor teatral grego, resolveu inspirar-se na instalação do tribunal do júri na cidade de Atenas para apresentar, durante o Concurso Trágico do ano de 458 a.C., a sua trilogia chamada Orestéia, subdividida na peça Agamenon, Coéforas e Euménides, que tratam do assassinato do rei Agamenon, o herói da guerra de Tróia, e da vingança praticada por seu filho Orestes. O sentido da trilogia era celebrar o elemento civilizador que foi a introdução, pelas mãos da deusa Atena, de um corpo de jurados para julgar os crimes de sangue.

O Retorno de um Rei


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Cabeça micênica

Durante anos e anos, enquanto durava a Guerra de Tróia, um sentinela fora colocado no alto da torre do palácio real de Micenas, em Argos na Grécia, a espera de um sinal. Quem ordenara a vigilância fôra a rainha Clitemnestra, cujo marido, o rei Agamenon estava ausente há dez anos. Ela, astutamente, determinara que uma série de fogueiras deveriam ser colocadas nos picos das ilhas que se estendiam como um colar aberto desde o litoral de Tróia, na Ásia, até as praias da Grécia continental, com a função de avisá-la quando a guerra terminasse. Assim que fosse confirmada a queda de Tróia, os encarregados tocariam fogo nas madeiras empilhadas nos cimos dos montes para avisar a ilha seguinte, e assim sucessivamente até que as chamas da derradeira fogueira na última ilha fossem avistadas do alto das muradas do palácio de Micenas. Por meio desse telégrafo ígneo, a rainha Clitemnestra saberia que o soberano, seu esposo, estaria em breve de volta à casa.

A Morte do Rei


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Clitemnestra e o amante tramando a morte do rei

O rei Agamenon, porém, não teria uma acolhida digna de um herói. Bem ao contrário. Quem o esperava era um esposa vingativa e adultera. Desde que ele fora, dez anos antes, obrigado pelos deuses a sacrificar Ifigênia, a sua própria filha, para aplacá-los, e assim poder seguir com a expedição dos mil barcos gregos contra Tróia, que os seus dias estavam contados. Clitemnestra, fingindo-se contente, recebeu-o com as honras de praxe, estendendo-lhe um vistoso tapete para que em seguida ele fosse banhar-se. Foi na tina real que Egisto, o amante da rainha, lá emboscado, o matou. Cassandra, a profetiza troiana que Agamenon trouxera como prisioneira, a quem não escutara as terríveis previsões, também foi degolada. Cometido o crime, Clitemnestra e o amante trataram de afastar do palácio os dois filhos do rei. O jovem príncipe Orestes foi desterrado enquanto a sua irmã, a princesa Electra, deram-na em casamento a um homem de condição inferior a sua.

A Maldição dos Átridas


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A porta dos leões de Micenas (cerca de 1.250 a.C.)

A brutal morte do rei Agamenon não foi a exceção naquela infeliz família. De fato, os Átridas eram amaldiçoados. Atreu, o pai de Agamenon, junto com seu irmão Trieste, ainda bem jovens, refugiaram-se na cidade de Micenas. Ambos haviam se envolvido na morte de um meio-irmão, e imploraram ao rei Euristeu que os acolhessem até que os furores se acalmassem. Passado um tempo, o rei que lhes deu asilo morreu e o povo de Micenas, atendendo a um oráculo, entregou a coroa aos dois estrangeiros. Não demorou para que Atreu e Trieste se tornassem inimigos de morte. Atreu conseguiu ficar com o trono e expulsou o irmão de Micenas. Mais tarde, fingindo um conciliação, o atraiu para um banquete onde serviu a carne dos três filhos de Trieste num grande cozido. O pai, sem saber, devorou os próprios filhos! Um crime dessa dimensão não poderia ser saciado numa só geração. A desgraça iria atingir os filhos de Atreu: a Agamenon e o seu irmão Menelau (o infeliz marido da bela Helena, cujo rapto provocou a guerra de Tróia).





 
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