Penso, logo existo
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Pierre Gassendi (1592-1655), crítico de Descartes
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Acatada esta nossa única certeza - "penso, logo existo" - aceitando-a como base, e armados com a precisão da lógica matemática, tornava-se possível descobrir o funcionamento de praticamente tudo o que existe. Como pacienciosamente ele explicou ao cardeal Bérulle, quando foi convidado em 1628 a expor sua doutrina, propunha a formulação de uma filosofia dinâmica, útil, que auxiliasse os homens em suas coisas costumeiras, não importando se fosse na mecânica, na moral ou na medicina. Porque, como ele explicitou no
Discurso, o seu objetivo último era "nos tornar como que senhores e possuidores da natureza". A filosofia, com Descartes, deixava de ser em definitivo um exercício de contemplação ociosa para ser um instrumento de domínio do homem. Pode datar-se daqui a crítica que mais tarde os irracionalistas iriam mover à chamada "razão instrumental", o momento em que ela, a razão, se torna uma ferramenta do progresso humano e não mais da especulação desinteressada.
As Quatro Regras do Método
Recomendou ele que qualquer pessoa dotada de bom senso, ao invés de preocupar-se em acumular o conhecimentos sobre uma infinidade de leis e regras, cujo excesso conduz ao vício, tentasse seguir as quatro regras que ele elaborara para si e que pareciam servir muito bem aos seus propósitos, desde que "rigorosamente observadas":
1 - jamais aceitar como exata coisa alguma que não se conheça à evidência como tal, evitando a precipitação e a precaução, só fazendo o espírito aceitar aquilo, claro e distinto, sobre o que não pairam dúvidas.
2 - dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes for possível e necessária para resolvê-la.
3 - pôr em ordem os pensamentos, começando pelos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para atingir, aos poucos, os mais complexos.
4 - fazer, para cada caso, uma enumeração tão exata e uma revisão tão ampla e geral para ter-se a certeza de não ter esquecido ou omitido algo.
Com tal método - extraído segundo Descartes, das práticas dos geômetras que sempre partiam das coisas singelas para atingir as mais complicadas - nada existirá de tão distante "que não será alcançado, nem tão escondido que não seja descoberto". Graças a essa técnica racional que age de maneira independente, conseguiu ele a autonomia da razão, libertando-a das amarras religiosas. Fornecia também a todas as ciências então emergentes um padrão epistemológico a ser seguido por elas.
Uma Filosofia do Devir
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Penso, existo (o pensador de Rodin)
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Pode-se estimar como o maior legado dele a herança perene do cartesianismo, além da sua obsessão em ter-se sempre idéias certas, firmes, claras, imunes aos efeitos dos sentidos, ter ele afastado para sempre o mito, sustentado durante séculos pela escolástica, de que a sabedoria e a verdade já haviam sido anunciadas há muito tempo pelos grandes pensadores da era clássica, só restando aos do presente, conformados, reproduzir-lhes as conclusões o mais próximo possível do original. Princípio que, se adotado sempre, reduziria os pensadores modernos a meros anões alçados nas costas dos gigantes (os sábios pretéritos), como assegurava uma conhecida metáfora da teologia medieval. Foi o cartesianismo portanto quem alimentou a
Querelle Anciens et Modernes, a polêmica entre os antigos e os modernos, que se estendeu de 1678 até 1694, considerada como preparatória ao acolhimento do iluminismo do século XVIII.
Descartes e suas Máscaras |
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Um Corpo Frágil |
Entre as Armas e a Geometria |
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Nasce o discurso do método |
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