O Perigo do Racionalismo
O questionamento que o cartesianismo fez do aristotelismo - doutrina oficial do mundo acadêmico daquela época - rendeu-lhes sólidas inimizades, encasteladas nas universidades de Utrech e Leyde, cujos membros acusaram-no de blasfêmia e ateísmo, mas felizmente tais denúncias não prosperaram porque os governantes holandeses não permitiram que ele fosse perseguido ou excluído. Entrementes sua reputação espalhou-se pela Europa culta e sua correspondência deu para acolher os grandes da época. Não só pensadores e discípulos dele se socorriam para solucionar questões abrangentes, como também princesas e mesmo rainhas. Mas suas idéias continuaram a rondar as universidades sem poder penetrar em seus muros.
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Utrech, nos Países Baixos
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A Sorbone de Paris, uma fortaleza da antiga escolástica, evitou qualquer aproximação com o cartesianismo a pretexto de cumprir com a lei parlamentar de 1625, que proibia terminantemente que a instituição acatasse "as novas doutrinas". Atitude referendada por Luís XIV, que também temia os efeitos daquela "filosofia da dúvida". Porém, na ânsia de criticá-lo e refutá-lo, muitos doutores e teólogos, sem assim o desejar, disseminaram as doutrinas de Descartes também no meio acadêmico.
A Necessidade de um Método
Vivia-se, naquele momento de naufrágio do tomismo, na mais completa anarquia metodológica. Urgia constituir-se um "novo itinerário do espírito para a verdade", apoiado numa nova base de legitimidade científica e num método que a respaldasse. Onde, entretanto, poderia encontrar-se esta nova pedra filosofal? Sobre qual alicerce iria erguer-se a nova edificação do conhecimento? Quem ousaria substituir o tomismo a contento? Afinal o tomismo estava em estreita relação com aquelas imensas catedrais góticas espalhadas por toda a Europa. Era, de certo modo, a espiritualização da Europa feudal. Não tratava-se de uma construção comum possível de ser removida com facilidade. Mas que estava condenada, isso ele sabia. A resposta para dar começo a esta demolição, segundo Descartes, encontrava-se dentro de nós mesmo, na nossa capacidade racional. O simples fato de sermos dotados de idéias inatas, colocadas por Deus em nós, nos habilitava para tal tarefa (por isso ele foi apontado como um dos ideólogos do individualismo). Era possível pô-las a serviço - desde que eliminando-se os enganos provocados pelos sentidos - pela prática permanente e insistente do exercício da dúvida. Devia-se questionar a herança intelectual. A única certeza naqueles tempos de extrema incerteza, é que éramos seres vivos e pensantes (
Cogito, ergo sum). Descartes, de certo modo, queria resgatar para o racionalismo moderno a tradição dos grandes geômetras antigos, como Euclides e Zenão, trazendo o rigor e a exigência deles para reforçar as capacitações da mente humana, entravadas pela superstição e pelas seduções da fé.
A Árvore de Saber
Segundo R. Descartes
Descartes e suas Máscaras |
O Sonho de Descartes |
Na Guerra dos Trinta Anos |
Um Corpo Frágil |
Entre as Armas e a Geometria |
Primeiras Experiências |
Nasce o discurso do método |
Contra o Cepticismo |
O Manifesto do Racionalismo |
O Perigo do Racionalismo |
A Necessidade de um Método |
A Árvore de Saber |
Penso, logo existo |
As Quatro Regras do Método |
Uma Filosofia do Devir |
Deus, uma Força Mecânica |
A Morte nas Terras Geladas |
Descartes, um Fetichista |
Obras de Descartes |
Bibliografia
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