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Um Corpo Frágil


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Brasão dos Nassau

Fisicamente não poderia haver alguém mais inepto às lides militares do que o jovem René. Desde que nascera em La Haye, na Touraine, na França, em 31 de março de 1596, foi uma criança extremamente frágil. Para piorar-lhe a vida, bem cedo ficou órfão de mãe. Sobreviveu devido aos carinhos, atenções e desvelos de sua ama de leite que tratou-o como se ele fosse uma planta fragilíssima. Viveu como se estivesse numa estufa. Foram essas suas debilidades que o obrigaram a passar longas horas na cama mergulhado em livros e em exercícios matemáticos. Aplicando-se no caso dele a teoria das compensações psicológicas, poder-se-ia inferir que Descartes, fraco de corpo, tratou de compensar-se exercitando os seus notáveis dotes cerebrais.

Entre as Armas e a Geometria


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Rendição de Breda (Velazques)

Acredita-se que foi justamente para enrijecer aquele verdadeiro feixe-de-ossos que ele era, pálido e encovado, que a família decidiu-se a enviá-lo para a Escola Militar de Breda, nos Países Baixos, um dos quartéis do célebre Maurício de Nassau. Exercícios de ginástica e marchas talvez não lhe fossem de todo ruim, pensaram os seus parentes. Em suas horas de folga travou conhecimento e amizade com Isaac Beeckman, um entusiasta da física e da matemática, que inculcou nele, para sempre, o gosto pela exatidão das formas geométricas.

Mas Descartes não era de ferro. Vez que outra, entre 1625-29, deixava a caserna e os rigores da metafísica, das hipotenusas e dos cálculos, indo mascarar-se de mundano e bon vivant em Paris, batendo-se em duelo e lendo os romanos para encher-se de coragem e virtude.

Primeiras Experiências

Depois de dar baixa no exército de Nassau, resolveu viver dos abonados recursos que sua família colocara à sua disposição, entregando-se ao ócio produtivo, recomendado tanto por Aristóteles como pelo seu conterrâneo Michel de Montaigne. Emascarou-se então de cientista curioso metendo-se em todos os tipos de experiências possíveis. Crescia dentro dele a certeza da predestinação. Sabia que um grande engenho o aguardava, algo totalmente novo estava a espera dele. Em 1626 teve a atenção despertada para a descoberta do funcionamento do fluxo sangüíneo feita pelo doutor William Harvey. Com as leituras que fizera de Copérnico, de Kepler e de Galileu, deu-se a pensar que a anatomia humana funcionava igual ao Cosmo, sujeita a leis fixas, inteligíveis e racionais. Misturou-se então aos doutores e cirurgiões na dissecação de cadáveres e na localização da glândula pineal, que ele acreditava ser o pequeno órgão - a morada da alma - colocado lá por Deus nas profundezas do corpo humano como um espécie de "terceiro olho".


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W.Harvey e a circulação do sangue

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