Comte, o Profeta da Ciência
Auguste Comte foi um pensador original que exerceu enorme influência entre as elites intelectuais francesa e brasileira do século XIX e XX. Apresentou-se inicialmente como um profeta dos tempos científicos, mas depois de uma grave crise emocional quis ser também uma espécie de guia da religião do progresso. É dele que vem o lema "ordem e progresso", que a bandeira brasileira cultiva até hoje no seu centro.
Os Reprovados por Comte
"Esse Comte, que saiu de moda sem nunca estar na moda, esse enterrado vivo é nosso contemporâneo (...) não é mais possível deixá-lo numa existência subterrânea que foi a sua em mais de um século."
Pierre Arnaud - Le "Nouveau Dieu", 1973
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Juliano e Júlio César, duas faces das preferências de Comte
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No seu extravagante calendário, o
Quadro Concreto da Reparação Humana, o filósofo positivista Auguste Comte reservou um dia de feriado para a "Festa dos Reprovados". Os indicados eram os imperadores Juliano e Napoleão, apontados como "retrógrados". Não por serem autoritários (afinal seus heróis eram César e Frederico da Prússia), mas por ter o romano tentado restaurar o paganismo em 361, e, o outro, o corso, "ter comido o frango sagrado" com os padres, assinando a concordata com a Igreja Católica em 1802. Para Comte, um deles não reconheceu que a antiga religião estava superada e o outro não viu que os dias da Igreja Católica estavam contados.
A Doutrina dos Três Estágios
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Saint-Simon, o mestre de Comte
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Influenciado por seu mestre Saint-Simon, converteu-se num ardoroso divulgador da doutrina dos três estágios, o teológico, o metafísico e o positivo, ou científico, apresentado por primeiro no seu
Reorganizar a Sociedade (
Plan des Travaux scientifiques nécessaires pour reorganiser la société, 1822), Comte fora coerente ao repudiar os estadistas. Quem tentasse regredir ao passado, resgatando uma religião ou uma instituição ultrapassada, atrasava a chegada da era científica.
Sacerdote do Progresso
Aluno exemplar e depois professor da Escola Politécnica (a afamada Poly) de Paris, templo erguido pela revolução, em 1794, para equipar e preparar, com cálculos e hipotenusas, os cérebros do futuro, Comte foi um intelectual orgânico da corporação dos cientistas e engenheiros que emergira com a ascensão da sociedade tecno-industrial. Na França tornou-se o sacerdote-mor do progresso.
A Sociocracia Antiliberal
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M.Littre, o grande filólogo positivista
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Detestava o
laissez-faire do liberalismo, estimulador, segundo ele, do egoísmo e da instabilidade, rejeitado também a anarquia natural dos democratas pelo clima de desordem que provocava. Idealizou para o devir uma sociocracia gerenciada por um Estado-maior de sábios e tecnocratas, aliados aos industriais, que tratariam à política o espaço das paixões humanas com as frias leis das ciências naturais. Recorreriam, para tanto, à sociologia, a novíssima ciência apresentada por ele no seu Curso de nº 47, que proporcionaria a inteligibilidade e a previsibilidade do comportamento humano.
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