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Chaucer, o mestre da língua
reprodução
Chaucer recitando poemas
Nascido em Londres mesmo, possivelmente entre os anos de 1340 e 1344, filho de um próspero mercador de vinhos, Geoffrey Chaucer conseguiu sobreviver na infância à devastadora peste negra. Quando jovem, teve excelente formação ao se tornar pajem da corte do rei Eduardo III, consagrando-se como um renomado tradutor do francês e do latim. Daí ele incorporar nos seus Canterbury Tales, Contos de Canterbury, iniciados em 1386, passagens inteiras dos autores do Roman de la Rose e da Consolation do filósofo Boécio. Mais ainda o mundo se lhe ampliou com suas missões diplomáticas cumpridas entre 1370-1378. Homem educado na corte, afeito aos tratados, enviaram-no ao Flandres, à Navarra, à França, e à Itália, onde entrou em contato direto com a obras de Dante, de Boccaccio e de Petrarca (a quem consta ter conhecido pessoalmente). A riqueza filológica que o cercava foi incorporada à sua obra, dotando a Língua Inglesa, desde aqueles tempos, da abertura e plasticidade que a fez um idioma universal por excelência, sempre pronto a acolher as contribuições estrangeiras vindas das mais diversas precedências. Chaucer morreu em 25 de outubro de 1400. Abalado pela deposição de Ricardo II, ocorrida em 1399, o novo monarca, Henrique Bolingbroke (ambos reis futuros personagens de Shakespeare), no entanto, restaurou-lhe a pensão que haviam lhe retirado, impedindo que outras desgraças o perturbassem, mas então já foi tarde. Ele foi o primeiro homem de letras a ser enterrado em Westminster, a abadia que abrigava as sepulturas reais da Inglaterra.

Etapas da vida literária de Chaucer
Fases Obras
Período francês (1369-1380) Traduz o Roman de la rose; o Livro da Duquesa (1369-70); o Parlamento das Aves (1379-1382) e a Casa da Fama (1379)
Período italiano (1380-1386) Influência de Dante, Boccaccio e Petrarca. Poema Tróilo e Criseida( c.1385); A Legenda das Mulheres Exemplares (c.1386)
Período inglês (1386-1400) Contos da Cantuária
Fonte: Paulo Vizioli - apresentação de Contos da Cantuária, pág. XII ( T.Z.Queiroz Editor, S.Paulo, 1ª reimp., 1991)

Uma língua pragmática
Deve-se a Chaucer e ao seu cosmopolitismo, o verdadeiro mestre da língua bretã, ser o Inglês um idioma pragmático, estranho ao nacionalismo e à xenofobia. Caso os ingleses não possuíssem um vocábulo ou uma expressão correta qualquer, nunca fizeram drama em assimilar um estrangeirismo, adaptando-o, tornando-o seu. Circulando na corte, nos acampamentos militares (chegou a ser capturado pelos franceses e depois resgatado) no parlamento (foi eleito pelo condado de Kent), no cais do porto (nomearam-no Inspetor Alfandegário das coisas de lã e couros), e até como membro do clero secular (clérigo do rei em Windsor), esta vida extremamente diversificada permitiu-lhe tornar-se íntimo de um leque amplíssimo de falares e de dialetos. Tornou-o próximo das expressões rasteiras das beiras do Tâmisa, das conversas com os intelectuais, e com o cochicho íntimo, refinado e afrancesado dos salões das embaixadas e das antecâmaras do poder. Talvez não houvesse alguém mais bem dotado do que ele para traçar o grande painel social e literário da Inglaterra daquele tempo, além de sedimentar em definitivo a fusão dos estratos lingüísticos germânicos com os românicos. Para ajudá-lo ainda mais na afirmação do Inglês como idioma pátrio inquestionável, foi no século de Chaucer que o francês começou a perdeu sua vigência entre a nobreza britânica (talvez devido ao envolvimento da Inglaterra na longa Guerra dos Cem Anos contra a França, a partir de 1337). Pelo Estatuto de Pleading, de 1362, a única língua permitida a ser utilizada nos tribunais e nas falas do Parlamento em Londres passou a ser a inglesa.

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