Chaucer: o nascimento do Inglês
 G.Chaucer(1340-1400), o mago do inglês |
Apesar de alguns especialistas acreditarem que a Língua Inglesa teve suas origens no século VII, vindo ao mundo em obscuros versos saxões, a verdade é que coube a Geoffrey Chaucer (1340-1400), humanista, poeta, tradutor e novelista, morto há 600 anos, dar forma definitiva às duas correntes então conflitantes naquele idioma, o anglo-saxão e o franco-normando, contribuindo para que a Língua Inglesa viesse a ser a língua franca do mundo contemporâneo.
Versos saxões
Recuando para idades cada vez mais remotas, os filólogos e demais estudiosos da Língua Inglesa terminaram por concluir que não tinha sido Geoffrey Chaucer (1340-1400) o seu primeiro poeta, mas sim um tal de Caedmon e ainda um desconhecido autor de um poema chamado de Beowulf. Retrocedendo assim do século XIV (o de Chaucer) para o século VII (o dos bardos saxões). Mas pode-se considerar que esses autores primitivos realmente escreveram em inglês, numa língua que realmente possa entender-se como tal?
 Um cavaleiro da época de Chaucer |
G.M.Trevelyan, o grande historiador, quando escreveu seu clássico livro sobre a história social da Inglaterra, nem tomou conhecimento daqueles autores primeiros, começando o seu capítulo inaugural diretamente em Chaucer: a
Inglaterra de Chaucer, e fim! E o motivo parece simples. A literatura dita saxã, que muitos chamam de "Old English", não incorporava o franco-normando, em razão desse idioma só se fazer presente mais tarde, a partir de 1066, quando Guilherme, o Conquistador, o barão normando, tomou de assalto as ilhas britânicas. Historicamente, só se pode falar de uma Língua Inglesa no seu sentido mais amplo quando se leva em conta a existência do franco-normando que, apesar de não ter deslocado a presença quase que absoluta da fala teutônica, contribuiu de modo fundamental para o atual idioma inglês.
Três línguas
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| As ordens: o padre, o nobre, o povo |
Até a época de Chaucer, existiam três idiomas escritos e falados na Inglaterra: o franco-normando, usado pela aristocracia, o latim dos padres e, finalmente, o saxão, comum ao restante do povo. Cada uma das três ordens medievais - a nobreza, o clero e o povo -, possuíam um idioma próprio. Porém a língua culta para a totalidade da intelectualidade, como no restante da Europa, continuava sendo o latim. Tanto a
Utopia, de Thomas More, a pequena fantasia sobre uma ilha do Novo Mundo que abrigava uma sociedade perfeita, como a
Novum Organum, de Francis Bacon, um extraordinário ensaio filosófico, editado em 1620, foram escritos em latim, e também era nessa língua considerada acra e culta que circulava a vulgata de São Jerônimo, como era conhecida então a Bíblia. Coube pois a Chaucer fundir isso tudo numa prosa e num verso comum, criando o Inglês moderno.
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