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Em Busca de Gente


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Os comuns, fonte inesgotável de histórias

Da mesma forma que bem mais tarde os pintores impressionistas saíram de seus ateliers para captar as cores vivas em seu estado bruto, batidas pelo sol, Balzac desertava do seu quarto soturno, na rua Lesdiguières (uma das tantas onde ele morou em Paris) para encontrar em meio à multidão os tipos e os nomes (muitos deles extraídos das lápides dos cemitérios) que formariam depois a vasta colmeia humana da sua Comédia.

Lentamente aquele jovem bisonho, gorducho, nascido em Tours em 20 de maio de 1799, e considerado quase como um palerma pelos seus companheiros de escola, transformou-se num dos maiores escritores da França. Hoje é uma glória nacional.

O Método


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A maison Balzac no Passy, em Paris

Como método Balzac sempre procurou preceder a apresentação dos seus personagem com um pequeno ensaio descritivo, algo equivalente a mostrar um cenário onde os atores irão em breve surgir. Em seguida surgem os retratos - vistos de fora, do exterior, com o máximo de detalhes possíveis - dos tipos humanos. Técnica hiper-realista que depois foi abandonada na literatura pelo aparecimento do daguerreótipo e, em seguida, pela difusão da fotografia. As roupas usadas, a aparência (importantíssima), os gestos e as ações revelam o caráter, até o nome do personagem define a pessoa, ou pelo menos a condiciona a um tipo de vida, a uma profissão ou gosto. O resultado foi simplesmente extraordinário, visto a amplitude e multiplicidade de figuras a quem ele conseguiu dar vida.

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Residência de Balzac na rue Fortune, Paris

A sociedade parecia uma imensa teia, uma colossal rede interligada por gente lutando dia a dia pela vida. Marx, em carta a Engels, confessou sua dívida para com o escritor francês porque, segundo o pensador alemão, ninguém, até então, expusera com tanto realismo e veracidade o universo capitalista e burguês. Oto Maria Carpeaux, por sua vez, disse que Balzac escrevera " o romance do dinheiro".

O Aprendiz do Bacharel


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Balzac, um Napoleão das letras

Tempos antes de decidir-se pelas letras, Balzac fizera um instrutivo estágio num escritório de advocacia. Os seus pais arrumaram-lhe uma colocação com um bacharel amigo, o senhor Guillonnet-Merville. Enquanto seus colegas de escrivaninha divertiam-se com chistes e brincadeiras sem fim, o jovem Honoré folhava maravilhado aqueles processos. Ali naquelas pastas, muitas com as folhas já amareladas pelo tempo, era todo um mundo que se lhe abria: maridos livrando-se de esposas, filhos tentando adulterar testamentos, amantes velhuscos fazendo empenhos e hipotecas em favor das jovens amantes, herdeiros em litígio de vida e morte, verdadeiras pequenas guerras em torno do dinheiro, e até um pobre coronel, de nome Chabert, uma ruína viva dos tempos do Grand Armée de Napoleão, ferido em Eylau, e que fora tratado como um fantasma inconveniente pela ex-mulher, tentando desesperadamente provar que ainda estava vivo! Aquela papelada toda foi a fonte primeira em que o escritor iniciante bebeu.

O Primeiro Sucesso


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La Chabottene, na Vendéia, local histórico dos chouans

No início, como escritor profissional, Honoré dedicou-se a porcarias, a romances góticos que ele despachava em série para as editoras, oculto num pseudônimo. Somente aos 29 anos sentiu-se em condições de vir à cena da república das letras com o seu verdadeiro nome. O livro escolhido, nos moldes de Walter Scott, era uma história que se passava nos tempos da revolução: A Bretanha em 1799 (Les Chouans ou La Bretagne en 1799). que publicou em 1829. Foi a largada de uma série memorável de romances, novelas e contos, que só se encerrou em 1847, consagrando-o universalmente como um dos mais prodigiosos, imaginativos e produtivos literatos de todos os tempos.

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