As Bacantes de Eurípides
Concebida há mais de 2.400 anos,
As Bacantes, peça de Eurípides provavelmente estreada na Macedônia em 405 a.C., pretende ser o relato dos primeiros passos do culto ao deus Dionísio. Tratava-se de uma divindade estrangeira que chegara à Grécia, mais precisamente às cercanias da cidade de Tebas, exigindo das suas autoridades que lhe prestassem as devidas homenagens e libações as quais ele, Dionísio, deus do vinho e da vindima, se achava no direito. O conflito daí resultante, entre a deidade adventícia que pretende ser celebrada numa terra nova e a casa reinante que a considera uma força subversiva aos costumes, é âmago dessa tragédia.
Dionísio em Tebas
Após ter saído da Lídia, local de onde se originou, Dionísio peregrinou por boa parte da Ásia Menor, até na Pérsia e na Arábia ele disse ter estado. Em todos os lugares, ele procurava organizar seus coros, implantar seus ritos, manifestando-se sempre como um deus. Alguém que nascera diretamente da coxa de Zeus. Nem a Ásia lhe foi estranha. Naquele momento, porém, ele estava ali, em frente aos muros da cidade de Tebas, na Grécia. Vinha por um forte motivo: vingar a sua pobre mãe Semele, filha do velho rei Cadmo, caída fazia tempo em desgraça, e ser reconhecido como uma divindade.
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Dionísio conclamando as bacantes
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Nem suas irmãs, tias de Dionísio - Agave, Autônoe e Inó - , nem o pai, reconheciam que o filho que ela concebera há muito tempo resultara de um encontro carnal dela com o sempre sedutor Zeus. Desprezaram a criança acreditando-a um bastardo qualquer e não o fruto do sêmen do Senhor do Olimpo. Pois lá estava agora Dionísio exigindo celebrações. Se suas pretensões foram inicialmente desprezadas pelas autoridades, as mulheres de Tebas, porém, deram-lhe a melhor acolhida. Aos bandos, as tebanas se juntaram às mênades, as bacantes, seguindo-as para o alto do Monte Citéron para entregarem-se livre e doidamente às lascivas daquele estranho deus de chifres, coroado por uma hera e uma parra de videira, presas a sua testa de chifres, por onde revolviam-se serpentes.
As bacantes
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As bacantes empunhando o tirso
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As bacantes formavam o corpo de seguidoras de Dionísio, deslocando-se para onde ele fosse. Vestidas com roupas de linho, tendo sobre os ombros peles de corças pintalgadas e a cintura cingida por uma serpente, traziam sempre junto de si o tirso - insígnia das adoradoras de Baco. Tratava-se de um cajado com uma haste ornada com hera coberta com folhas de parra e cachos de uvas, que, além de as auxiliar nas caminhadas, era possuidor de recursos mágicos. Elas, acompanhadas ainda por sátiros e faunos, embalados pelos sons dos tamborins dos coribantes, formavam uma espécie de trupe que acompanhava o deus do vinho nas suas aventuras,
atuando igualmente como chamariz na conversão de outras mulheres por onde a procissão passava, atraindo-as para a vida lasciva. Evidentemente que o comportamento livre e desregrado delas causava apreensão, senão pânico, nos lugarejos e cidades onde o cortejo báquico passava. Eram mulheres possuídas, como se estivessem dopadas, em transe permanente, que, quando assaltadas por um furor qualquer, não conheciam limites ao descarregar a sua cólera. Por isso mesmo, obrigavam-se a procurar refúgio no alto das montanhas, onde podiam exercer sua estranha liturgia sem a presença de olhares de censura ou reprovação.
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