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As Bacantes de Eurípides


reprodução

Eurípides
(485-406 a.C.)


Concebida há mais de 2.400 anos, As Bacantes, peça de Eurípides provavelmente estreada na Macedônia em 405 a.C., pretende ser o relato dos primeiros passos do culto ao deus Dionísio. Tratava-se de uma divindade estrangeira que chegara à Grécia, mais precisamente às cercanias da cidade de Tebas, exigindo das suas autoridades que lhe prestassem as devidas homenagens e libações as quais ele, Dionísio, deus do vinho e da vindima, se achava no direito. O conflito daí resultante, entre a deidade adventícia que pretende ser celebrada numa terra nova e a casa reinante que a considera uma força subversiva aos costumes, é âmago dessa tragédia.

Dionísio em Tebas


reprodução (escultura de Zadkine)

Mênades

Após ter saído da Lídia, local de onde se originou, Dionísio peregrinou por boa parte da Ásia Menor, até na Pérsia e na Arábia ele disse ter estado. Em todos os lugares, ele procurava organizar seus coros, implantar seus ritos, manifestando-se sempre como um deus. Alguém que nascera diretamente da coxa de Zeus. Nem a Ásia lhe foi estranha. Naquele momento, porém, ele estava ali, em frente aos muros da cidade de Tebas, na Grécia. Vinha por um forte motivo: vingar a sua pobre mãe Semele, filha do velho rei Cadmo, caída fazia tempo em desgraça, e ser reconhecido como uma divindade.

reprodução

Dionísio conclamando as bacantes

Nem suas irmãs, tias de Dionísio - Agave, Autônoe e Inó - , nem o pai, reconheciam que o filho que ela concebera há muito tempo resultara de um encontro carnal dela com o sempre sedutor Zeus. Desprezaram a criança acreditando-a um bastardo qualquer e não o fruto do sêmen do Senhor do Olimpo. Pois lá estava agora Dionísio exigindo celebrações. Se suas pretensões foram inicialmente desprezadas pelas autoridades, as mulheres de Tebas, porém, deram-lhe a melhor acolhida. Aos bandos, as tebanas se juntaram às mênades, as bacantes, seguindo-as para o alto do Monte Citéron para entregarem-se livre e doidamente às lascivas daquele estranho deus de chifres, coroado por uma hera e uma parra de videira, presas a sua testa de chifres, por onde revolviam-se serpentes.

As bacantes


reprodução

As bacantes empunhando o tirso

As bacantes formavam o corpo de seguidoras de Dionísio, deslocando-se para onde ele fosse. Vestidas com roupas de linho, tendo sobre os ombros peles de corças pintalgadas e a cintura cingida por uma serpente, traziam sempre junto de si o tirso - insígnia das adoradoras de Baco. Tratava-se de um cajado com uma haste ornada com hera coberta com folhas de parra e cachos de uvas, que, além de as auxiliar nas caminhadas, era possuidor de recursos mágicos. Elas, acompanhadas ainda por sátiros e faunos, embalados pelos sons dos tamborins dos coribantes, formavam uma espécie de trupe que acompanhava o deus do vinho nas suas aventuras,

reprodução (escultura de Praxíteles)

Um sátiro

atuando igualmente como chamariz na conversão de outras mulheres por onde a procissão passava, atraindo-as para a vida lasciva. Evidentemente que o comportamento livre e desregrado delas causava apreensão, senão pânico, nos lugarejos e cidades onde o cortejo báquico passava. Eram mulheres possuídas, como se estivessem dopadas, em transe permanente, que, quando assaltadas por um furor qualquer, não conheciam limites ao descarregar a sua cólera. Por isso mesmo, obrigavam-se a procurar refúgio no alto das montanhas, onde podiam exercer sua estranha liturgia sem a presença de olhares de censura ou reprovação.





 
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