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O Arranha-Céu

"A arquitetura é a vontade de uma época transladada para o espaço"

Mies van der Rohe


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Leiter II Building, Chicago (Le Baron Jenny)

O arranha-céu, um genuíno produto da América do Norte, é a expressão de uma nova civilização criada no Novo Mundo. Os imensos e elegantes edifícios longilíneos, aparentando equilibrar-se precariamente em bases muito estreitas, são antes de tudo uma celebração do homem moderno a favor do Progresso, o deus da modernidade, ao mesmo tempo em que marcam uma significativa ruptura com a tradição arquitetônica européia, perfilada em torno de prédios de seis andares em média. O arranha-céu quer também exaltar a era da nascente tecnologia, um mundo até então desconhecido, próprio da época, que foi desconsiderado em tempos passados, mas que doravante, para os grandes teóricos da arquitetura moderna, passou a ser o centro da preocupação do homem contemporâneo.

Como disse Meis van der Rohe "a tecnologia é mais do que um método, é um mundo em si mesmo." O ferro, o aço, o vidro e a terracota foram os materiais básicos com que os engenheiros contaram para erguer prédios de alturas e dimensões desconhecidas em qualquer outro tempo da história da humanidade (Nova Iorque hoje possui 2.692 edifícios, os maiores deles oscilam entre 226 a 417 metros de altura).

Poemas de Pedra


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Le Baron Jenney, o "pai" do arranha-céu

A competição e a rivalidade acirrada pela sociedade industrial e comercial em permanente expansão refletiu-se em inúmeras construções que começaram a dominar a paisagem urbana no eixo Chicago-Nova Iorque nos finais do século XIX, seguindo pelo século XX adentro. Inicialmente este movimento arquitetônico, capitaneado pela Chicago School (A Escola de Chicago), foi liderado pelo arquiteto William Le Baron Jenney, o "pai dos arranha-céus", falecido em 1907, e, em seguida, por Louis Sullivan, um notável arquiteto nascido em Boston, o seu principal discípulo e seguidor, quando este mudou-se para Chicago. Os recursos técnicos colocados à disposição da arquitetura foram tantos que ele, Sullivan, acreditou que "o arquiteto que combinasse na sua essência os poderes da visão, da imaginação e do intelecto, acrescentados pela simpatia para com as necessidades humanas e o poder de interpretá-las numa linguagem vernacular, será capaz de criar poemas nas pedras".

Peculiaridades


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J.Hancock Center, Chicago

O arranha-céu, símbolo arquitetônico mais chamativo e escandaloso do século XX, nasceu como expressão do movimento modernista, marcado por sua total ojeriza ao ornamento, enfatizando que a arquitetura, antes de tudo, devia servir à função (funcionalismo). Para Mies van der Rohe, um dos seus expoentes europeus, "a forma é a função". O seu estilo - que nos anos de 1920 foi denominado de International Style - não se apegava a nada do que fora feito no passado (pois é anti-historicista), visto que a arquitetura clássica greco-romana era horizontalista (a extensão predominando sobre a altura) e sustentada por colunas com capitéis decorados. A arquitetura das catedrais, por sua vez, particularmente durante o período barroco, exibia um excesso de decoração. O arranha-céu, materialização do individualismo, do pragmatismo e do empirismo do homem contemporâneo, procurou eliminar ou reduzir ao mínimo o acessório, recorrendo a formas e materiais muito próprios para pôr em pé um prédio que espelhasse a sua singularidade (exclusivismo). A extraordinária massa de vigas de ferro, vidros e demais elementos, postos eretos em direção aos céus, espelha a arrogância do sucesso de algum homem notável, muito bem sucedido nos negócios, ou da sua empresa (Rockefeller Center, Palmolive building, etc.), ao mesmo tempo em que livremente expõe-se à admiração pública para que a sociedade reconheça quão espetacular foi aquela ascensão.

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