O conquistador e o filósofo
As relações do filósofo Calistenes com Alexandre, o Grande, eram amistosas e afetivas até que o conquistador cismou em querer ser divino. Então a educação de homem livre e culto do filósofo - de ser cidadão grego - não se submeteu ao capricho do conquistador.
Alexandre acha-se deus
Os banquetes que Alexandre, o Grande, começou a dar aos seus próximos e aos legatários estrangeiros que, como abelhas, não paravam de "enxamear" em volta de sua corte ambulante tornaram-se cada vez mais suntuosos, licorosos e violentos.
 Aristóteles |
A antiga moderação militar em que ele fora criado, em meio às falanges de Felipe, seu pai, rei da Macedônia, fora-se no tropel das conquistas. O mesmo se aplicou ao censo de moderação que Aristóteles, o grande filósofo e seu preceptor, ensinara-lhe. Os ares da Ásia tinham disso. Inspiravam o luxo e a chibata.
"Depois dessa batalha de Issus...os macedônios começaram a tomar o gosto pelo ouro, pela prata, e pelas mulheres, e do modo de viver dos asiáticos, afeiçoando-se de tal maneira a isso que, como se fossem cães, saíram no rastro em busca e perseguição da opulência dos persas."
Plutarco - Alexandre ( in Vidas Paralelas), séc. I
O Império da Ásia
Imensa e abismal região, desconhecida para a maioria dos gregos, Alexandre transpôs o Bósforo, em 334 a.C., com o livro de Xenofonte embaixo do braço. A fantástica narrativa intitulada Anábasis (retirada de dentro para fora, em grego), que o capitão dos mercenários gregos escrevera depois de ter participado na mal sucedida aventura do príncipe persa Ciro, morto em 401 a.C., tornou-se a bússola de Alexandre. A bússola e o mapa. A detalhada descrição dos acidentes geográficos, dos povos, dos vilarejos e cidades, que a força de dez mil mercenários gregos percorrera em território pertencente ao Império Aquemênida, era a única informação correta que o conquistador dispunha. Nem Aristóteles, o sabe-tudo, tinha idéia onde, afinal, terminava aquele continente fantástico que as patas de Bucéfalo, o cavalo de Alexandre, começara a pisar.
A campanha do macedônio foi espantosa. Em apenas três anos, de 334 a 331 a.C., ele colocou os domínios de Dario III baixo seu controle. Bateu os persas em Granicus, em Issus, e em Gaugamelas, fazendo ainda, a caminho do Egito, capitular a cidade de Tiro, no Líbano, após tê-la submetido a um sítio formidável.
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