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CULTURA E PENSAMENTO

Schliemann na procura de Tróia (parte III)

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» Schliemann na procura de Tróia (parte I)
» Schliemann na procura de Tróia (parte II)
 

As ruínas polêmicas de Tróia

Desde que as primeiras pazadas foram dadas no monte Hissarlik, numa época em que não havia conhecimentos mais aprofundados e precisos na arte das escavações, os achados de Schliemann (das nove Tróias sobrepostas encontradas nos decênios seguintes, a VII teria evidências de ter sido destruída por uma guerra) não cessaram de provocar intensas discussões e batalhas verbais entre os arqueólogos e demais especialistas e estudiosos.

Originalmente a Escola Helenística Ortodoxa, de estudiosos ingleses e germânicos, desconsiderava a possibilidade de Tróia ter algum dia existido. Atribuíam tudo à fantasia de um grande poeta. A Escola dita Romântica, por sua vez, sempre se manifestou pela existência da cidade-reino de Príamo, dando credibilidade total à narrativa de Homero.

A mais recente delas, dessas refregas de arqueólogos, apelidada pela imprensa alemã de a Nova Guerra de Tróia, ocorrida no primeiro semestre de 2002, envolveu dois acadêmicos respeitados: o dr. Manfred Korfmann, que há anos faz pesquisas em Hissarlik, e seu colega Frank Kolb, um professor de História Antiga, ambos docentes da Universidade de Tubinga.

Korfmann anunciara que "Tróia foi muito importante naquela época. Não só existia a cidade-fortaleza (acrópole) como também haviam os bairros baixos da cidade, que abarcavam uns 270 mil m². Portanto, Tróia era várias vezes maior do que a fortaleza conhecida até agora de 11 mil m²." Devido a sua situação geográfica, ela "ocupava uma posição chave como mediadora entre Ocidente e Oriente" (tese que originalmente fora sustentada pelo filósofo Hegel, morto em 1831, que nunca pôs os pés na Grécia ou no Levante).

As diversas cidades de Tróia.
Kolb acusou-o de tirar conclusões precipitadas, quando não irreais, das escavações e achados feitos recentemente. Para ele, a Tróia que a arqueologia revelara era um estabelecimento de "terceira classe", estando bem longe de merecer os adjetivos grandiosos usados por Korfmann, tal como haver descoberto uma "Nova Grande Tróia". Todavia, dando seguimento as escavações, a tese de Korfmann viu-se reforçada pelos novos achados que parecem assegurar que o perímetro de Tróia era bem mais amplo do que se imaginou originalmente. Seja como for, o sonho infantil de Schliemann, que se incendiou ainda mais com as chamas de São Francisco, continua até hoje provocando os seus efeitos.

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