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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

Releituras modernistas

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» Brecht, e o teatro da revolta
 
Além do horror em ater-se a regras e gêneros, gostando de embaralhar o "Humor" com o "Trágico", Brecht, como tantos outros modernistas, promoveu "releituras" de conhecidos textos dramáticos ou literários bem anteriores a sua época. Foi o caso da encenação de Eduardo II dele, inspirado na peça de Marlowe; da "Mãe Coragem", abeberada num texto do século XVII de Grimmelshausen; da Ópera dos Três Vinténs, vinda diretamente da The Beggar's Opera de John Gay (1728); a "Mãe" da novela homônima de Gorki; do senhor Puntila e seus criado Matti, da marxista báltica Hella Wuolijoki: e de tantas outras peças mais.

Com a chegada de Hitler e dos SA ao poder, em janeiro de 1933, Brecht pegou a estrada do exílio. Mudou-se primeiro para a Dinamarca, de onde somente saiu em 1941. Então se lançou numa grande travessia cruzando a União Soviética em direção ao porto de Vladivostok para , dali, alcançar os Estados Unidos. Seu barco foi o último a deixar o cais pois em seguida a Alemanha nazista invadiria a URSS. Brecht ficou na Califórnia por largo tempo produzindo textos para os roteiros de filme de Hollywood, tendo que deixar o país clandestinamente em 1947 para escapar de uma possível prisão a ser determinada pelo Comitê de atividades antiamericanas. O clima da Guerra Fria tornou inviável a sobrevivência dele em terras norte-americanas.

Acabou sendo recebido, em 1949, de abraços abertos pelo recém formado regime da RDA (República Democrática da Alemanha), a Alemanha Oriental, ou comunista, desejoso de contar em seus quadros de apoio com um artista do porte internacional de Brecht . Depois de 16 anos de exílio ele finalmente voltou a por os pés na cidade em que fizera tanto sucesso. Queriam promovê-lo a ser um Wagner do proletariado, cedendo-lhe inclusive um antigo teatro na capital, o Berliner Ensemble/Theater am Schiffbauerdamm, exclusivamente voltado, desde 1954, para a apresentação das peças dele. O garoto de ouro do teatro de Weimar tornou-se no fim da vida num ícone oficialista da versão alemã do stalinismo. Adesão que de certo modo já estava implícita num poema que ele compusera muitos anos antes para justificar as "distorções" cometidas em nome da causa:

Aos que ainda não nasceram

O Romanische Café em Berlim, centro da boemia artística
"Através da luta de classes, desesperados, quando somente havia a injustiça e nenhuma insurreição/
Nós já sabíamos: que no ódio à baixeza, desfiguram-se as feições/
Que também na cólera contra a injustiça, a voz torna rouca/
Nós, que queríamos preparam o terreno para a bondade não podíamos ser bondosos/
Eu porém, sabendo que ainda está distante o seu porvir, e que é o indivíduo quem auxilia a Humanidade, pense em nós com indulgência".

Dramaturgia de Brecht

Baal (Baal, 1920), Trommeln in der Nacht (Tambores na Noite, 1922), Mann ist Mann (O Homem é um Homem,1927), Dreigroschenoper (A ópera dos três vinténs,1928), Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny (Ascensão e queda do estado Mahagonny,1929), Die heilige Johanna der Schlachthöfe (Santa Joana dos Matadouros,1932), Die Gewehre der Frau Carrar (Os fuzis da senhora Carrar, 1937), Mutter Courage und ihre Kinder (Mãe coragem e seus filhos,1941), Der aufhaltsame Aufstieg des Arturo Ui (A resistível ascensão de Arturo Ui,1941), Der gute Mensch von Sezuan (A alma boa de Sechuan, 1942), Leben des Galilei (A vida de Galileu,1943), Schweyk im zweiten Weltkrieg (O soldado Schweyk na Segunda Guerra Mundial,1944), Herr Puntila und sein Knecht Matti (O senhor Puntila e seu criado Matti,1948), Der kaukasische Kreidekreis (O círculo de giz caucasiano, 1949), Die Tage der Kommune (Os dias da Comuna,1949).

Bibliografia

Chiarini, Paolo – Brecht – Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1967.

Bader, Wolfgang (org.) - Brecht no Brasil, experiências e influências. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

Brecht, Bertolt – Teatro Completo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 12 v.

Brecht, Bertolt – Diários de Brecht. Porto Alegre, LP&M, 1995.

Bornheim, Gerd – Brecht, a estética do teatro. São Paulo: Editora Graal, 1992.

Eckardt, Wolf von – Gilman, Sander L. – A Berlim de Bertolt Brecht: um álbum dos anos 20. Rio de Janeiro:José Olympio, 1996.

Peixoto, Fernando – Brecht, vida e obra. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1979.

Roitman, Ari – Amette, J-P. – A amante de Brecht. Rio de Janeiro-S.Paulo: Editora Record, 2005.

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