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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

A globalização

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» A Cidade Globalizada
 
Presentemente dá-se o mesmo. A globalização que ora se assiste é a vez do capitalismo liberal moderno tentar erguer a sua cidade universal. A queda do Muro de Berlim, derrubado pela massas alemãs em outubro de 1989, anunciou a superação do planeta terra dividido em duas esferas hostis, senão inimigas, a capitalista e a comunista. Desde então tudo transformou-se num acelerado carrossel de mercadorias: os céus viram-se sobrevoados por imensos aviões de transportes, os mares em grandes avenidas, os rios gigantescos em estradas por onde circulam os navios de carga com preciosos containers levando toda a espécie de manufaturados,tudo tornou-se definitivamente em mercadoria.

Nesta nova urbe universal, todos se parecem cada vez mais entre si. Vestem as mesmas roupas, bebem e alimentam-se das mesmas coisas, ouvem as mesmas noticias, escutam a mesma música e, invariavelmente, fazem os mesmos programas de lazer ou de férias. Apesar de falarem mil línguas pelo mundo, os novos elementos trazidos pela tecnologia das comunicações permitem pensar-se numa torre de Babel restaurada, aproximada pelas redes de televisão e pela Internet.

Características da cidade globalizada

Entrementes, nesta nova ordem que se constrói sob as ruínas da Guerra Fria, as nações existentes tornaram-se entrepostos comerciais. Varejões com bandeira e hino. Os antigos estados converteram-se em guardas de trânsitos, agilizados afim de evitar os engarrafamentos e as colisões no ir e vir das mercadorias. Podemos considerar que sob o ponto de vista da cidade universal globalizada os estados-nacionais não passam de um bairro ou de uma pequena circunscrição eleitoral. Algo menor perto da grandeza do projeto geral. Por ser agnóstica, nesta nova Babel cada um vai para o céu pelo caminho que preferir. O seu templo é o supermercado, a sua catedral é o shopping-center, a sua capela é uma loja.

A solidez dela advém de uma confederação formada pela associação de empresas multinacionais com as finanças ciganas que, espalhadas pelos quatro cantos da terra, dividem entre si os espaços econômicos nacionais e continentais. Tudo politicamente legitimado por um conjunto de regras constitucionais e eleitorais cada vez mais uniformes Ligam-se entre si pelo satélite, pela mídia e pelo dinheiro eletrônico, tendo como linguagem franca o inglês e a informática. O conceito de cidadania que ela têm limita-se ao indivíduo que entra num supermercado, num shopping-center, consome ou assume uma prestação.

A vitória da Babilônia

A cidade universal globalizada não é nem de ordem divina nem resulta da imaginação utópica. É sim uma nova Babilônia erguida para satisfazer o consumo das massas. Além das impertinências do trânsito e do convívio com as multidões, natural em seu gigantismo, ela não cobra dos seus moradores e adeptos nenhuma constrição ou voto de pobreza, pois não propõe nenhuma transcendência: tudo nele é voltado para o aqui e o agora. É um imenso logradouro voltado somente para o que é mercantil, sensorial e lúdico.

Em termos bíblicos, caso a Cidade Universal globalizada for historicamente vitoriosa, como está sendo até agora, confirmará um dos mais profundos temores do Apocalipse, segundo o qual a impura Babilônia, materialista, sensual e caótica, poderia algum dia superar a santificada e pudica Jerusalém, voltada para Espírito e à Castidade.

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