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A questão das vanguardas
A idéia de que a arte vingar no futuro era uma intuição das vanguardas (termo extraído do jornal Avant-Garde, editado por Bakunin, em 1878) foi decorrente da predominância das principais correntes ideológicas e científicas da época. Tanto para a ciência positivista, para a concepção evolucionista, como para os militantes socialistas e anarquistas daqueles tempos, o mundo estava vocacionada para o devir-a-ser , para o futuro. Os artistas, todavia, entendiam que este novo porvir era anunciado somente por uns poucos, por alguns eleitos das musas, que graças a sua extraordinária intuição e talento estético formavam a Vanguarda, apresentando as linhas gerais do que mais cedo ou mais tarde viria a se consagrar no campo das artes e dos costumes. "O espirito novo", escreveu Apollinaire, "que dominará o mundo inteiro"..fara com que os poetas, enfim, um dia, consigam " manejar a poesia como manejam o mundo" ("O espirito novo e os poetas", 1918)
Era dever deles, dos militantes das vanguardas - homens independentes, livres enfim do Poder Sacerdotal e do Mecenato - , imitando os partidos e associações de esquerda, anunciar o vindouro por meio de um espalhafatoso, senão escandaloso manifesto. Os artistas, profetas da modernidade, missionários estéticos dos novos tempos que estavam a anunciar, não queriam mais ser vistos como modestos artesãos, presos ao anonimato do formão, da palheta e do pincel. Eram sim os arautos do futuro. Autopromoveram-se simultaneamente como os gestadores e juizes estéticos da sua época, denunciando tudo aquilo que os cercava como pertencente à desprezada cultura filistéia e burguesa. Ditadores do futuro, do que deveria vir logo em seguida ao seu manifesto, quase sempre redigidos num tom agressivo, definitivo e apocalíptico. Daí foi um passo a querem competir, nos anos que antecederam e os que se seguiram a Grande Guerra, com os lideres dos partidos comunistas e socialistas, como se fossem os Jaurés, os Kautskis, os Lenins e os Trotskis das belas artes (a tentação do vanguardismo por igual contaminou os revolucionários. Foi de Lenin a teoria de que o seu partido, o bolchevique, assumiria a função de "Vanguarda do Proletariado"). Exemplo disso, do cunho um tanto apocalíptico deles, pode encontrar-se nos versos do poeta expressionista Jakob van Hoddis: "O chapéu do burguês está voando de sua aguda cabeça, em todos os ares está ecoando a gritaria/ Os trabalhadores estão caindo e despedaçando-se, e no litoral – lê-se – está subindo a preamar/ A tempestade ai está, os mares selvagens saltam para a terra, para destroçar grossos diques/ A maioria dos homens têm um defluxo/ Os trens de ferro despenham-se das pontes/ ("Fim do Mundo", in Demokrat, 1911).
Os manifestos modernistas
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Um bidê como obra de arte ("toilete" de M. Duchamp)
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Manifesto Futurista (Marinetti, Maiakóvski) 1909: celebração do moderno, rompimento total com o passado (mercado das quinquilharias, museus são "urnas funerárias") e com a mitologia. Culto à velocidade, ao avião, ao automóvel, ao movimento em geral.Manifesto Cubista (artigo: éditations esthétiques/Sur la pinture) (Apollinaire, Picasso, Braque Cézanne,Cendras, Cocteau) 1913: decomposição da estrutura clássica, representação da realidade pelas estruturas geométricas, em busca da verdadeira beleza. Manifesto Suprematista (Kassimir Malevitch, Maiakóvski) 1915: deposita na emoção a primazia suprema sobre qualquer outra consideração artística, seja de experiência psíquica ou real. Acolhe a natureza como "emoção não-cognitiva", e afirma a radicalização do abstracionismo geométrico. Manifesto Expressionista (Kassimir Edschmid, V.Kandinsky, Franc Marc, Egon Schiele, F. Murnau (cinema)) 1917: arte resultante da expressão da vida interior, de imagens que originam-se do fundo do ser. Artista instrumento da expressão, contra o positivismo e contra o naturalismo. Manifesto Dadaísta (Tristan Tzara, Franz Jung, Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray) 1919: "Dadá é o diluvio após o que tudo recomeça"; o que havia era a guerra, o nada. O artista devia produzir uma antiarte, uma antiliteratura. Manifesto Surrealista (Andre Brote, Louis Agarro, Aratu, Paul Enludra e Salvador Dali, Luís Buñuel) 1924: influencia da psicanálise de Freud. Ênfase nos sonhos, e nas hipnoses. Exploração do inconsciente,, do sonho, do maravilhoso. Bibliografia Argan, Giulio C. – Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos, São Paulo, Cia das Letras, 1992. Bradbury, Malcom – McFarlane, J. – Modernismo, São Paulo, Cia. das Letras, 1989. Karl, Frederick R. – O moderno e o modernismo: a soberania do artista: 1885-1925, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1988. Teles, Gilberto M. – Vanguarda européia e modernismo brasileiro, Rio de Janeiro, Editora Record, 1987.
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