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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

A doutrina de Copérnico

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Para Bruno o grande astrônomo polonês, ao colocar o Sol no centro do Cosmos, restaurara a antiga deidade egípcia, restabelecendo o seu incomensurável fulgor. O entendimento que Bruno tinha, pois, da cosmologia de Copérnico estava mais próximo de um profeta, nada se assemelhando ao de Galileu (este sim o fundador da física moderna, apoiada na matemática, na geometria, e na observação direta, via telescópio, dos fenômenos celestes). É provável que Bruno tenha percebido as implicações últimas da adoção do heliocentrismo. O poder da Igreja, defensora da velha concepção cósmica (o geocentrismo de Ptolomeu), não ficaria inerte perante a pregação do filósofo. Mesmo assim Bruno foi em frente, talvez, a fazer juz ao que certa vez ele aconselhara a um admirador a quem escreveu:

"Persevere, caro, persevere! Não te desencoraje, nem recue jamais porque, com o socorro de múltiplas maquinações e artifícios, o grande e solene senado da ignorância disfarçada, ameaçará e fará destruir o divino empreendimento do teu grandioso trabalho".

Antecipando o livre-pensar

Galileu
Situando-se na tradição renascentista dos simpatizantes da magia e do ocultismo, Bruno acreditava na liberdade, na tolerância, e no direito de dizer-se o que se pensa. Era, enfim, um entusiasta do Discurso da Dignidade do Homem de Picco de la Mirandola. O fascínio que tinha por formas e maneiras diversas de perceber-se o mundo (interessou-se inclusive pela cabala judaica), derivou dele ver o universo, lembrou Jacques Attali, como que "composto por um número limitado de letras elementares em formas geométricas, triângulos, quadrados, círculos, pirâmides curvas, etc." Servindo também estes outros caminhos, como uma maneira para encontrar-se escapes à crescente opressão teológica exercida pelo catolicismo contra-reformista.

O mago egípcio

Mantendo-se apenas formalmente como dominicano Bruno viu-se como um mago-hermético, uma espécie de sacerdote de Amon, renascido na Europa do século 16. Observo que este tráfico de Bruno entre a literatura clássica e a literatura hermética, resultou, de certa forma, das suas leituras caóticas e vorazes feitas, ainda jovem, no Mosteiro de San Domenico, quando estudou Pitágoras, Platão, Aristóteles, os interpretes judeus da Bíblia, e inumeráveis tratados de astronomia. Saberes que, depois, se somaram ao conhecimento da obra de Telésio e a de Lulio.


Essas leituras, múltiplas e variadas, fizeram com que o seu vocabulário confundisse muitos dos seus exegetas. Não afetou, porém, o seu magnífico estilo, e, de certo modo, contribuiu para evitar que fizessem dele um dogmático. A abertura dele para tudo o que viesse a somar para o conhecimento, fez com que colocasse, no seu Templo da Sabedoria, além de alguns teólogos não-convencionais, até os povos antigos e místicos diversos, não considerados pelo cristianismo como merecedores de atenção. Talvez, ele fizesse isso, é de supor-se, na intenção de alargar as sensibilidades do conhecimento e atenuar o preconceito contra o passado pagão da humanidade.

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