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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

O interrogatório e o ultimato de Giordano Bruno

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Em 27 de fevereiro de 1593 ele chegou à prisão papal. Seguiu-se então um longo e morníssimo processo, onde os inquisidores não sabiam bem o que fazer com ele. Interrogou-o Roberto Bellarmino, o jesuíta que, anos depois, em 1616, já Cardeal, iria também acusar Galileu Galilei. Sujeitaram-no a vinte e uma entrevistas. Ocorreu que nestes anos em que passou encarcerado, Bruno mudou sua posição. O confinamento, a má comida, o frio permanente e a constante espionagem dos seus vizinhos de cela (nos processos encontram-se citados mais de cinco testemunhos deles), ao invés de enfraquecerem-lhe o ânimo, tiveram um efeito contrário. Além de aumentar o desprezo de Bruno pela Igreja, endureceu-lhe a posição: "não creio em nada e não retrato nada, não há nada a retratar e não serei eu quem irá se retratar!". Infelizmente, não foi esse o entender definitivo da Congregação do Santo Ofício, que se reuniu em 21 de dezembro de 1599, presidida pelo Papa Clemente VIII.

"Os padres teólogos", determinou o documento final, "deverão inculcar no dito frade Giordano (Bruno era frei dominicano, mas não mais vinculado à ordem), que suas proposições são heréticas e contrárias à fé católica... Se as rechaçar como tais, se quiser abjurá-las, que seja admitido para a penitência com as devidas penas. Se não, será fixado um prazo de 40 dias para o arrependimento que se concede aos hereges impenitentes e pertinazes. Que tudo isso se faça da melhor maneira possível e na forma devida".

A leitura da sentença

Cabalística atraiu Bruno
Exigiram a rendição final de Bruno: se abjurasse deixavam-no vivo. Ou então o excomungavam e, em seguida, o entregavam ao braço secular para que aplicasse a sentença de morte, "sem que o sangue fosse derramado", isto é, o queimassem. O papa esperava um triunfo. A capitulação de Bruno teria um notável efeito propagandístico num ano da "graça" como o de 1600, troca de século. Ele rejeitou. Conduziram-no, então, à praça Navone para escutar a sentença no dia 8 de fevereiro. Ajoelhado em frente a nove inquisidores e ao governador da cidade, disse-lhes: "vocês certamente têm mais medo em pronunciar esta sentença do que eu em escutá-la!".

O temperamento de Giordano Bruno

Afinal de contas qual era a causa desta infeliz celeuma? Testemunhos disseram que muito do desenlace infausto, para Bruno, e para a Igreja Católica, deveu-se à maneira de ser do filósofo. Bruno, um italiano de Nola, perto de Nápoles, onde nascera numa família da pequena nobreza local em 1548, era um temperamental, um tipo vulcânico, dado a formidáveis explosões coléricas. Para um homem que se considerava em missão, ele era um desastre. Se medisse as palavras, se fosse mais sutil em defender suas idéias, mais sedutor, talvez escapasse daquele fim terrível. Provavelmente, como em tantos outros casos, o manteriam na prisão, e só o queimariam em efígie. Mas o monge era um polemista nato, vibrante, desaforado, um iconoclasta. Arrogante, disse aos inquisidores que já começara a duvidar dos dogmas da Igreja ao entrar no mosteiro aos 17 anos, e que sabia bem mais teologia do que todos os que o interrogavam.

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