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Mozart, cidadão do Mundo (1756-1791)
Como músico, a Wolfgang Amadeus Mozart nada lhe foi estranho. O seu gênio foi onipresente. Versátil, mostrou-se capaz de compor, sempre com talento, qualquer dos gêneros ou motivos que lhe fossem solicitados, desde ópera, sinfonias, minuetos, obras sacras ou peças ligeiras de divertimento. Não fugia de nenhum instrumento pois, além de ser um virtuose no piano e no violino, era hábil em todos eles. Compôs para cravo, clarinete, trompa, flauta, harpa e oboé, ele sozinho era uma orquestra. Não houve expressão ou sentimento humano que ele desconhecesse ou que sua sensibilidade extraordinária, mágica, não pudesse converter numa partitura. Era o Wunderkind, um menino-prodígio que chegou a compor uma ópera aos 9 anos de idade, e ao crescer converteu-se num dos maiores esplendores da música clássica em todos os tempos, uma verdadeira enciclopédia das melodias e dos acordes.
O cosmopolitismo do iluminismo
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W.A.Mozart (1756-1791), poster de S.Kaufamann
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Ainda que pertencente à esfera da poderosa cultura musical germânica – nasceu em Salzburg, em 1756 – ele foi muito mais filho da sua época do que da Áustria em que viveria a maior parte da sua curta vida. O século 18, ao contrário do século 19, dominado pelo nacionalismo, foi por inteiro um tempo de cosmopolitismo. Escassos artistas sentiam-se presos às barreiras impostas pelo Estado-Nacional ou forçados a ter apego e interesse apenas à cultura local, exigência do nacionalismo e do romantismo, como viu-se ocorrer depois. Neste sentido, o espirito dele, de Mozart, estava por assim dizer livre para tratar do que bem entendesse, independente da nacionalidade. O caso da ópera "Don Giovanni" é significativo disso. A história se passa em Sevilha, na Espanha de 1600, mas é produto de um folheto escrito em italiano por Lorenzo Da Ponte, composta por um austríaco e estreada em Praga, capital da então Boêmia, em 1787. A arte no Iluminismo, tal como o fora na Renascença, não tinha bem uma pátria. Mozart, por igual, pertencente à pequena burguesia cortesã, se destacou em buscar emancipar-se como artista. Dedicou-se com todas as suas forças para ver-se livre da obediência direta às cortes oligárquicas, fossem religiosas ou seculares, chegando praticamente a forçar sua saída de Salzburg, em 1781. A sua adesão à maçonaria - sociedade clandestina a quem ele dedicou a maravilhosa "Flauta Mágica" - talvez deveu-se a esse seu desejo de fugir do controle do pai e do nobre. Quis ser um homem independente, ao contrário do seu progenitor Leopold Mozart, que por anos serviu como músico da corte do arcebispo von Schrattenbach.
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