Educação História por Voltaire Schilling Cultura e Pensamento
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

Sidarta, o Buda de Hermann Hesse

Leia mais
» Sidarta, o Buda de Hermann Hesse
» Alcançando a purificação
 
Hermann Hesse (1877-1962), um dos maiores prosadores da língua alemã do século XX, goza de um lugar especial na história da moderna literatura ocidental. Teria sido ele o último representante do romantismo germânico por enfocar acima de tudo, em ambientes imaginários, rarefeitos, a exaltação da sensibilidade do personagem e não a sua racionalidade. Mesmo a organização dos seus livros não se enquadraria nos conceitos tradicionais do que se chama um romance ou uma novela.

Os críticos alemães, entendem ser Hesse um Dichter, um escritor com alma de poeta, uma categoria um tanto acima de um Schrifsteller, isto é, um romancista (ver Anatol Rosenfeld – Letras germânicas, SP, Perspectiva, 1993, pág. 99)

Um narrador dos Livros Vedas

Sidarta Gautama
Ele, em seu entendimento, preferia apresentar-se como um contador de histórias, igual aqueles tantos que ele encontrou pela ruas da Índia, terra que ele conheceu em 1911.

Tipos de turbantes coloridos e longas barbas que, cobertos com panos simples e de aparência faminta, acocorados num canto de um portão ou sentados no chão das feiras-livres e praças, tendo à mão apenas uma pequena vasilha d´água, repetiam sem cessar aqueles contos mágicos que diziam respeito ao homem em eterna busca do mistério e da salvação. Era assim que Hesse se via, como um narrador dos Livros dos Vedas, um difusor de poemas hindus.

Sidarta Gautama

A fonte imediata que o inspirou a escrever “Sidarta”, lançado com grande sucesso junto ao público alemão no ano de 1922, foi naturalmente a vida do grande líder espiritual dos povos da Ásia - Buda (Siddhärtha Gautama) -, o príncipe de Sakyas que tornou-se Buda, “o iluminado”, e que viveu entre 563-483 a.C.). Um homem extraordinário que, quando adulto, rebelado contra a hierarquia bramanista, largou todos os confortos materiais que dispunha no palácio do seu pai, o rei, para ir em busca do real sentido da existência, ganhando fama imorredoura em todo o Oriente como Gotama, o Sublime, o Saquia-Muni.

Pode-se dizer que o “Sidarta” de Hesse é uma epopéia esotérica, um livro para iniciados, um roteiro para um andarilho que, rompido com os valores em que fora criado, põe-se na estrada do mundo atrás de uma nova vida. A geografia da busca daquele que rompeu com a casa paterna ou com a religião em que fora batizado, compõe-se de uma necessária passagem pelo vale das tentações (ligação dele com a cortesã Kamala e com o comerciante Kamasvami) até que, transposto o rio da purificação, (onde Sidarta ajuda o balseiro Vasudeva), o peregrino, liberto das coisas carnais e materiais, alcança o cume final da redenção e da libertação total. A pedra fundamental da doutrina budista é o domínio ou a rejeição do desejo (a existência é sofrimento/ ela é causada pela ignorância provocada pelo desejo/ o sofrimento poder ser superado pela eliminação do desejo/ o desejo pode ser eliminado pela meditação).

Na trajetória da Ätman, o Supremo Espírito que mora em cada um dos homens, deve ser rejeitado o esplêndido mundo das aparências de Maya. Despindo-se de tudo, numa fase posterior, ultrapassadas as diversas fases do microcosmo, a alma atinge Brahma, o Todo. Meditando, esperando e jejuando, sofrendo tormentos, ela chega por fim à transparência no Absoluto, dissolvendo-se no Akasa (éter). Reencontrado por fim por Govinda, o seu ex-companheiro de vida ascética, Sidarta termina os seus dias como balseiro do mesmo rio que cruzara ainda jovem.

     próxima página
Veja todos os artigos | Voltar