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CULTURA E PENSAMENTO

Sócrates e Jesus, objetivos diferentes

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Sócrates e Jesus, o sábio e o messias
Sócrates e Jesus, objetivos diferentes
 
Tanto os gregos como os judeus daquela época, povos não muito numerosos, cada um no seu tempo, estavam ameaçados por forças imperiais terríveis, poderosíssimas. No outro lado do mar Egeu pairava a sombra ameaçadora do império persa, enquanto a Palestina estava ocupada pelas legiões desde os tempos de Pompeu (ano de 63 a.C.).

Apesar dos dois ouvirem vozes (Sócrates as chamou de dáimon, Jesus de Espirito), diferiam, porém, nos objetivos pretendidos. O grego procurava formar homens públicos, cidadãos que atuassem com seriedade e correção nos assuntos comunitários. O galileu queria convertidos, inocentes como crianças, para conduzi-los para o alto, ao Reino do Deus Pai.

Se Sócrates teve discípulos que o honraram, como Platão ou Xenofonte, Jesus teve em Pedro a sua rocha. Mas também foram seus seguidores quem os decepcionaram e os traíram. Sócrates foi parar no Areópago, o tribunal de Atenas, para responder pelo comportamento indigno de Alcibiades e de Crítias, seus admiradores, acusado de "corromper a juventude".

Jesus, traído por Judas, acusado de blasfêmia e de desrespeito à religião oficial, teve que apresentar-se no Sinédrio para responder a Caifás e depois a Pilatos, governador romano da Judéia que o entregou à cruz. O público de Sócrates era geralmente muito instruído, o que o exercitou na dialética do techne logon, a arte do discurso racional. Bem ao contrário dos quem Jesus se dirigia, à multidão dos infelizes da terra, massa iletrada, o que fez dele um gênio no uso da parábola.

Educadores da humanidade

Jesus e seus apóstolos

Sentenciado a beber cicuta, em 399 a.C., o veneno com que se eliminava o condenado em Atenas, Sócrates passou seu últimos momentos com seus discípulos Críton, Fédon, Apolidoro, Cebes e Símias, conversando até o fim, até o momento em que o seu corpo esfriava, ironicamente recordou-se que devia sacrificar um galo a Esculápio, o deus da medicina (Fédon - epílogo). Antes da prisão e crucificação, no ano de 33, Jesus fez sua derradeira ceia com seus apóstolos no Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras, e igualmente lembrou-se de um galo, prevendo que Pedro, "antes que o galo cante", o negaria três vezes (Mateus - 26).

Sócrates e Jesus, o Sábio e o Messias, a luz para um era o saber , o conhecimento, para o outro foi a fé e a salvação da alma. Um gerou academias e liceus, o outro mosteiros e seminários. Educadores da humanidade.

Bibliografia

Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Irmãs Paulinas, 1985

Gnilka, Joachim - Jesus de Nazaré, Mensagem e História, Petrópolis, Editora Vozes, 2000

Jaspers, Karl – Los grandes filósofos: los hombres decisivos, Buenos Aires, Editorial Sur, S.A., 1971

Platão – Diálogos: Fédon – Sofista- Político, Porto Alegre, Editora Globo, vol. II, 1961

Stone, I.F. – O julgamento de Sócrates, São Paulo, Companhia das Letras, 1988

Tovar, Antonio – Vida de Sócrates, Madri, Alianza Universidad, 1986

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