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Shane: o justiceiro do Oeste
O filme "Shane", de George Stevens, estreado nos Estados Unidos em 1953, foi universalmente considerado um dos mais espetaculares faroestes da história do cinema americano e classificado entre os 100 melhores filmes de todos os tempos. Na verdade, tratou-se da adaptação para as paragens do Velho Oeste da antiga lenda do cavaleiro andante que galopa pelo mundo tentando consertar os desacertos dos homens, protegendo os fracos e fazendo com que os injustiçados sejam vingados.
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Cartaz de "Shane", 1953
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"a sua vida não lhe pertencia, mas sim aos que haviam mister, para que os amparasse e socorresse nas aventuras." Cervantes – D.Quixote de La Mancha, 1605
É pelos olhos de um garoto que tudo se passa. É o pequeno Joey quem, com sua espingarda de caça na mão, pela primeira vez enxerga ao longe a chegada de um caubói solitário. Vem pedir pouso na choupana da família Starret, onde vivem o garoto e seus pais, Joe e Marian. O recém-chegado, Shane, o herói do celebrado filme de George Stevens, não demora a sentir que o cenário paradisíaco do Território do Wyoming, onde a história se passa, no ano de 1880, era enganador. A beleza da paisagem não disfarçava a enorme tensão gerada pela guerra surda travada pelos homens que nela habitavam. Shane, que chegara como quem não queria nada, gradativamente envolve-se no grave conflito entre um grande barão do gado, um tal de Ryker, e o restante dos colonos assentados no belo vale, onde se dedicavam à lavoura. Irritado com a crescente ocupação da terra por gente vinda de fora, o manda-chuva, sentido-se dono de tudo, dos acres e dos ares, ordenava a seus vaqueiros que, quando em busca de água para o gado, ignorassem as cercas e passassem com as manadas por cima das plantações dos pobres coitados. Esses, impotentes, nada faziam a não ser lamentar-se. Joe Starret, pequeno fazendeiro, assume então a liderança dos injustiçados. Shane, um tanto como seu escudeiro, então trabalhando como peão no rancho, resolve ajudar aquele povo. Numa reunião dos colonos exorta-os a que resistam. Eles não podiam aceitar ter que levar uma vida de ciganos, expulsos de todos os lugares pelos mandões locais. Em algum sitio eles tinham que parar e enraizar-se, erguer suas casas e dar um lar às suas mulheres e filhos. Não podiam ser postos a correr assim no mais. O Wyoming era um bom lugar para fazer isso.
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