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CULTURA E PENSAMENTO

Shane: na trilha do Oregon

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» Shane: na trilha do Oregon
 
As passagens por aquele território haviam sido desbravadas pelo lendário Kit Carson nos anos de 1840, caçador e guia de alta fama que conhecia o Oeste como a palma da mão. Tornou-se caminho obrigatório para quem marchasse pela trilha do Oregon, um dos últimos rincões à beira do Oceano Pacífico a serem integrados ao restante da União norte-americana, em 1850. No tempo em que filme se passa, a população branca do território era insignificante, mal ultrapassando vinte mil moradores, mas nos dez anos seguintes saltaria para mais de 60 mil.

Sua geografia diversificada, onde esplêndidas cordilheiras intercalam vales majestosos e despovoados, também atraiu bandoleiros como os célebres foras-da-lei Butch Cassidy e Sundance Kid, líderes da gangue do Hole-in-the-Wall, a quadrilha do buraco, dedicada a assaltar os trens da Union Pacific. Igualmente foi cenário de uma terrível batalha racial entre os trabalhadores chineses, contratados pelos donos das minas de carvão como fura-greves, e os mineiros do sindicato Knights of Labor, os cavaleiros do trabalho. Guerra que culminou no trágico incidente de Rock Springs, de 1885, ocasião em que os coolies orientais foram massacrados pelos brancos.

Entre os diversos conflitos que se intercruzam no filme de George Stevens (como duelo final entre Shane e Wilson, paradigma do mal, o pistoleiro contratado por Ryker para assustar os colonos e pô-los a correr), está subjacente o que havia separado os americanos durante a Guerra da Secessão (1861-65): o embate da Propriedade contra o Trabalho.

O cavaleiro andante da democracia

Shane, na defesa dos pequenos proprietários
Shane, na verdade um ex-pistoleiro que tentava mudar de vida, é o cavaleiro andante que desequilibra a situação. É a versão faroeste do mito do herói medieval que coloca-se ao lado dos fracos e dos oprimidos. No filme de Stevens (rodado em 1951 e lançado em 1953), ele surge como um campeão da ordem democrática a ser instalada nos Estados Unidos no pós-guerra civil, favorável aos posseiros e colonos que vinham tentar a vida na América.

Impressiona que um roteiro assim engajado (é de A.B.Guthrie baseado na novela de Jack Schaefer, Shane, 1949) como foi Shane tenha sido rodado em Hollywood no começo dos anos 50, em plena Era Macarthista, quando facilmente poderia ter sido denunciado ao comitê de atividades antiamericanas como propaganda subliminar comunista. Independentemente das pancadarias, das fantásticas lutas a soco e a tiros, a conclamação para que os mais fracos se unam e resistam ao despotismo dos mais fortes é a marca ideológica do filme. Shane, porém, como determina a mitologia do andante destemido, tem como destino reparar as injurias do mundo e não pode fixar-se em lugar nenhum. No final ele é acompanhado pelo olhar do garoto Joey quando galopa desaparecendo no rumo das montanhas distantes do Wyoming, em busca de outras aventuras ou da morte.

Filmografia
Titulo: Shane (Os brutos também amam)
Diretor : George Stevens
Roteiro: de A.B. Guthrie , da novela de Jack Schaefer
Ano: 1953
Atores; Alan Ladd (Shane); Van Heflin ( Joe Starret), Jean Arthur (Marion Starret); Brandon de Wilde (o garoto Joey Starret), Jack Palance (o pistoleiro Wilson)

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