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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

Byron e Stendhal , entre letras e conjuras

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» Byron e Stendhal , entre letras e conjuras
» Byron carbonário
 
Dois grandes homens de letras, afamadíssimos, o poeta Lord Byron e o romancista Stendhal, quando estavam na Itália nos princípios do século 19, envolveram-se em perigosas aventuras subversivas em razão dos seus enlaces amorosos. Apaixonados por belas mulheres deixaram-se arrastar perigosamente para as conspirações dos carbonários, sociedade secreta de patriotas italianos que lutavam para livrar a península do domínio estrangeiro.

Byron em confusões

Lord Byron e Stendhal

Não se trata de um homem, nem de milhões de homens, mas sim do espírito da liberdade que precisa propagar-se.
Lord Byron - 09/01/1821

No Natal de 1819, o poeta aristocrata Lord Byron, ligado por sangue à aristocracia inglesa, tomou a decisão de acompanhar sua nova conquista, a bela Teresa Guiccioli, a Ravena. Auto-exilado na Itália, atendia ele ao desejo da audaciosa amante para que fosse morar próximo ao seu palácio na pacata cidade. Ravena havia há muito tempo deixado de ser a importante cidade portuária do Adriático dos tempos tardios do império romano quando chegou a ser, no século 5, a capital do reino de Honório, um dos filhos do imperador Teodósio.

Apesar da desimportância da cidade, Byron encantou-se com o local e sua surpresa aumentou ainda mais quando o Conde Guiccioli, o marido manso de Teresa, convidou-o para ir morar numa das alas do palazzo da família. Seguramente o inocente homem não sabia da legenda de Byron que dizia ele ser Mad, bad, and dangerous to know (“Louco, mau, e perigoso de se conhecer”). Logo o poeta “povoou” o local com "dois macacos, cinco gatos, oito cachorros, dez cavalos, uma águia, um corvo e um falcão” que , com exceção dos cavalos, freqüentavam as peças da habitação. De imediato ele foi introduzido nos salões da sociedade local, onde era apresentado delicadamente como o amico de Teresa, que exibia com orgulho a esplêndida figura de Byron. Não tardou por fazer com que ele se envolvesse nas conjuras políticas levado pela mão dos Gamba, os parentes da sua bela amante.

O trono, o altar, e os carbonários

Carbonários aprisionados
Depois da derrota final de Napoleão em 1815, a Itália voltara a ser dividida entre o império austríaco, que engoliu as partes setentrionais do país, e a Igreja Católica, que dominava as regiões centrais e algumas fatias do sul da península. Além de ter que ver restaurado o Reino das Duas Sicilias, nas mãos dos Boubons. Recompunha-se, depois da derrota de Napoleão, a aliança entre o absolutismo e o clericanismo, entre o trono e o altar, sufocando as liberdades locais e o desejo dos patriotas italianos em ver a sua nação unida. Mas o germe nacionalista inoculado desde os tempos da ocupação francesa de 1796 deixou sua presença na atuação de uma organização secreta de inspiração jacobina: os carbonários, as brasas.

Aquela cabala de liberais radicais era favorável à unificação nacional, bem como pensava implantar uma república que livrasse a Itália não só do domínio tedesco como da mitra papal. Byron, espirito temerário e aventureiro, desde que se mudara para Veneza para fugir de uma sucessão de escândalos que o infamaram na Inglaterra, procurou aproximar-se daqueles grupos clandestinos. André Maurois, um dos seus biógrafos, afirma que ele foi aceito por um deles em Bolonha. Recentemente o pesquisador inglês Richard Lansdown encontrou uma interessante documentação mostrando que o poeta também pertenceu a uma vendite, a uma célula dos carbonários, em Ravena, intitulada com o pomposo nome de Società degli Amici del Dovere. Esses papéis foram deixados na Inglaterra por Lega Zambelli, que foi, simultaneamente, uma espécie de mordomo e secretário privado do literato durante a maior parte de sua estada na península.

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