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História - Cultura e Pensamento
CULTURA E PENSAMENTO

A Sociedade Lunar, os construtores do futuro

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Na história do Iluminismo, o grande movimento científico e intelectual do século 18, fundador do mundo moderno, teve muita importância, concedida aos homens de letras franceses, aos “filósofos” como eles eram chamados. Montesquieu, Diderot, D´Holbach, D´Alembert, Voltaire, Rousseau ou Condorcet, dominam as páginas dos livros como os principais gestores do Século das Luzes, e de fato o foram.

Ocorre que tal preferência por eles, devido ao seu brilho, pelo talento polêmico deles, pela coragem com que enfrentaram as verdades estabelecidas, fez por diminuir a importância de um outro notável grupo de homens, cientistas engenheiros, fabricantes, naturalistas e farmacêuticos que, na mesma época, na vizinha Grã-Bretanha, agrupavam-se ao redor da Sociedade Lunar, fundada em 1775, cuja influencia perdurou , nas coisas da vida prática, por bem mais tempo do que seus colegas franceses.

Entre jardins e fábricas

O Reino da Grã-Bretanha no século 18 dividia-se em dois universos, organizando-se ao redor de dois projetos distintos. Enquanto a nobreza, a gentry e os senhores de terra, preocupavam-se na montagem e na elaboração de belos jardins, os burgueses e os mecânicos dedicavam-se às fábricas. Maior contraste entre as ambições deles não haviam. Os jardins, fossem nas enormes casas de campo ou nas cottages, eram lugares de lazer e de devoção privada, eram o espaço, finamente organizado, em que a família da alta sociedade e seus amigos mais chegados podiam usufruir da intimidade com a flora domesticada. Era a razão - presente pela obsessiva classificação dos arbustos, das plantas e das árvores, tudo planejado e simetricamente plantado e adubado ao redor das pérgulas -, atuando em favor da idéia magna daquela época de que a Natureza já não impunha mais pavor ao Homem.

Que contraste gritante faziam os belos jardins britânicos com o mundo sombrio da indústria! As cidades inglesas, a periferia delas, onde se concentravam as artes mecânicas, eram assombrosamente feias. Quem chegasse a Manchester, a maior cidade industrial fora de Londres, a Leeds ou a Birmingham, bem no meio da ilha, chocava-se com a degradação geral da paisagem. Enormes chaminés, que sem cessar expeliam rolos de fumaça negra para todos os lados, dominavam os céus. A fuligem invadia tudo, dos lares modestos dos trabalhadores aos pulmões dos seus habitantes. Era o Jardim das Delícias frente as Forjas de Vulcano, situação em que os rostos róseos, saudáveis, dos jovens nobres ingleses pintados por Sir Joshua Reynolds, opunha-se acintosamente às faces cinzentas do proletariado britânico, um dos motivos de William Hogarth.

O Ciclo Lunar do dr. Darwin

Erasmus Darwin (1731-1802)
Uma testemunha do casamento do doutor Darwin, ao ver o par de noivos, disse que o conúbio fora uma evidente “vitória do intelecto sobre a estética” tamanho o contraste entre o casal, Erasmo e Elizabeth. As núpcias, realizadas em 6 de março de 1781, uniram dois viúvos: ele “gordo, tosco e feio” ela, a ex-senhora Pólo, um loura exuberante, que ainda lhe deu 7 outros filhos (o seu neto famoso, Charles Darwin, era filho de Robert, ainda do primeiro casamento).

Nada disso porém desviou a energia incomum daquele homem. Médico, formado em Cambridge, muito bem sucedido em Lichfield (onde nasceu o dr. Samuel Johnson), onde criou um jardim botânico para suas pesquisas, mudou-se depois para Derby, local onde muitos dos encontros da sociedade que organizara se deram. Para escapar ao isolamento em que se encontrava, ele, um curioso incorrigível, um insaciável polímata, daqueles homens do século 18 que dominavam tudo, resolveu reunir um par de amigos para trocarem idéias. O nome desse primeiro grupo, Círculo Lunar, surgiu, ao que se sabe, porque as reuniões eram feitas uma vez ao mês, nos dias de lua cheia, ocasião em que as viagens deles se davam amparadas pela iluminação lunar.

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