Napoleão e Goethe: o Imperador e o Poeta - A lira e a espada
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Catedral e igreja de Erfurt
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O próprio Goethe nas suas memórias (Poesia e Verdade) não foi muito claro em expor as razões que o levaram a não aceitar a oferta. Admirava Napoleão. Considerava-o a encarnação do gênio nos tempos modernos. Alguém que com um gesto submetia reinos inteiros e mudava os destinos de milhares de outros numa só penada. Se bem que pequena estatura, Napoleão carregava o mundo as suas costas, sabendo muito bem dar valor aos livros e às artes em geral. Talvez, naquela altura da vida, acomodado por anos a fio em Weimar, o poeta não queria mais lançar-se em grandes aventuras, seguindo o conquistador como seu objeto de luxo. Anos depois desse episódio, em 1812, quando Napoleão retirava-se batido da Rússia, onde perdera quase todo o seu exército, ao passar por Erfurt, lembrou-se de enviar a Goethe suas saudações. E assim, a reunião daqueles dois titãs do século XIX, em Erfurt, não deu em mais nada. O encontro da lira com a espada, ao contrário do de Virgílio com Augusto, bem pouco legou à humanidade.
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