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Camões, poeta da globalização - Tudo é uma coisa só

Tétis, então, voltando-se para o outro lado da Terra, apontou-lhe para as partes recentemente conquistadas pelos castelhanos, que lançaram o seu rude colar sobre as gentes cativas do Novo Mundo. Enquanto isso, da Terra de Santa Cruz, do litoral do Brasil, o braço lusitano já carregava o tronco vermelho, o ibirapitanga dos nativos, para dele extrair as tintas para os panos de todos. Reembarcados os portugueses, partindo da Ilha dos Amores, aos adeuses no convés, velas soltas ao vento em mar tranqüilo, manso, carregados de refrescos e iguarias deliciosas, navegaram então de volta à boca do Rio Tejo. Todos eles de agora em diante estavam convencidos de que os fados da Humanidade, desde que Vasco da Gama unira o Ocidente ao Oriente, não se prendiam mais a um só reino, a uma só nação ou sequer a um só hemisfério. Somente gente surda e endurecida, de testa fechada, teimosa, não reconheceria que, escancarado para sempre o Caminho das Índias, o mundo se globalizaria cada vez mais, tornando-se algo único, entrelaçado para sempre povos e continentes num destino em comum.

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