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Sociológica
A sociologia, "a ciência da sociedade", resultou de um profunda revolução intelectual operada entre os séculos XVII e XVIII, fruto do racionalismo e do iluminismo. A chamada Era Clássica da Razão foi o período histórico marcado pela obsessão com que os pesquisadores, cientistas, filósofos e demais pensadores, fascinados pela emergência da mecânica e o crescente prestígio das exatas, trataram de descobrir o real funcionamento das coisas. Procuravam o que se ocultava por detrás dos fenômenos de toda ordem, sempre em busca do mistério que os envolvia, para estabelecer as leis ditas naturais, imutáveis, cujo entendimento, segundo eles, permitiria à humanidade o controle sobre a natureza em geral.
Em busca das Leis Naturais
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Descartes, Newton e Spinoza, a trindade do racionalismo moderno
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Esta preocupação, no século XVII, atingiu a extremos tais como o do doutor William Harvey procurar entender o funcionamento da circulação do sangue (An Anatomical Study, de 1628) e da embriologia (Essays on the generation of animals, de 1651), e o seu oposto, a tentativa feita por Renée Descartes (Le Monde, 1634) e Isaac Newton (Principia of Natural Philosophy, 1687), de precisar, à luz das conclusões de Galileu, como se dava o funcionamento do Cosmo.
Armados com o microscópio ou com a luneta, estudaram tanto o interior dos seres vivos, por minúsculos que fossem, até a contemplação da vastidão do sistema planetário. Tudo, literalmente tudo, passou a ser objeto da investigação racional e da curiosidade despertada pelas novas concepções seculares. Movimento que não deixou de fora nem os Livros Sagrados, como foi o caso da investigação feita com olhos de um crítico secular, realizada por Baruch Spinoza sobre a Bíblia (Tratado Teológio-político, 1670).
A teoria mecânica do mundo somada à crença nas Leis Naturais fixas, inamovíveis, logicamente levou à exclusão da Doutrina da Providência. O homem dos tempos modernos, então, voltou suas costas em caráter definitivo para qualquer explicação sobrenatural dos fenômenos. Não é de estranhar-se, pois, que esta investigação, possuída pela idéia fixa de estabelecer as leis de tudo, pudesse deixasse a sociedade humana, e os indivíduos que a compõe, de fora da sua inquirição. A partir da Era Clássica da Razão nada devia ser mais estranho ao entendimento ou à capacidade indutiva-dedutiva do cérebro humano. Nem as coisas do Céu nem as da Terra.
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