Grécia, Aventura e Filosofia no Egeu - Centro de sabedoria
Centro de sabedoria
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A stoa de Mileto
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O Egeu fascinava os gregos e metia-lhes medo. O mar era fonte inesgotável de histórias e lendas que eram repetidas oralmente pelos marinheiros e pelos narradores antigos. Seus naufrágios fizeram com que muitos, como para o poeta romano Virgílio, acreditassem que suas águas, quando revoltas, fossem confundidas com um vestíbulo do Inferno.
Mas houve um outro Egeu. Não mais como uma geográfica concentração de uma "sólida desgraça", como os deuses por vezes o chamavam, mas como um centro de sabedoria. Um dos maiores da Antigüidade, quiçá de todos os tempos. Pois foi nas margens do Egeu que a Filosofia veio à luz. Mais precisamente na encantadora cidade litorânea de Mileto, habitada por gregos jônios oriundos da ilha de Creta. Ela abrigou o que os gregos consideravam um dos seus sete sábios, o primeiro deles todos: Tales de Mileto (625-547
a.C.).
Mileto abriga a coruja
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Mileto também abrigou a beleza (gravura de uma hetaira)
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Localizada no litoral da antiga Lídia, na Ásia Menor, esta magnifica polis, verdadeira jóia da Grécia Jônica, serviu como o elo de ligação entre as culturas grega, fenícia, egípcia e babilônica, e, graças a Eleutéria, a autonomia política alcançada, e ao clima de tolerância imperante, Mileto permitiu que os seus pensadores e cientistas fossem os mais audazes daqueles tempos. Foi em meio às suas ruas e praças que a coruja, o pássaro símbolo da sabedoria, pela primeira vez assentou o seu ninho, e berço de um dos maiores e mais inquietos cérebros de todos os tempos: Tales de Mileto.
Tales de Mileto
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Tales de Mileto, o mais sábio dos gregos
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Tales, segundo indicam as fontes, inclinou-se pela filosofia já homem maduro depois de ter-se dedicado aos negócios públicos. Desconforme com as explicações fantasiosas sobre a origem da Natureza, cansado das mitológicas histórias de conflitos entre Gea, Urano e Cronos, ele inaugurou um modo original de pensar, buscando a causa natural das coisas. Porque, especulou ele, não imaginar as coisas emergindo da própria matéria? Um corpo gerando outro corpo, sem nenhuma interferência divina. E, em segundo lugar, qual seria o elemento formador dessa mesma Natureza (Phisys), e o que poderia ser comum a tudo que existe do mundo visível? Ao responder essas indagações Tales, segundo Aristóteles, mereceu o título de ser o primeiro dos filósofos, pois, para atingir aquele propósito foi preciso buscar um princípio único (monista), ou ainda um reduzido grupo de

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Ruínas de Mileto, onde a filosofia nasceu
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princípios (pluralista), dos quais toda a realidade deriva ou consiste. Deste novo modo de interpretar as coisas do mundo, nasce um enfoque científico, o que transcende os fatos concretos, os métodos puramente empíricos, estabelecendo as leis abstratas gerais. Portanto, bem ao contrário do que chamava de teólogos, isto é, os que se deleitavam com as explicações míticas sobre a origem das coisas.