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História - Brasil
BRASIL

O que se deve ler sobre o Brasil

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Esta lista de livros recomendados é fruto de uma necessidade.
Incontáveis são as ocasiões em que estudantes e pessoas curiosas,
amantes da leitura, perguntam sobre uma boa indicação bibliográfica.


Quais seriam os títulos a se ler sobre o Brasil? De fato, o volume deles
é tão avassalador nos dias de hoje que é quase impossível poder
acompanhar as publicações que saem em fornadas das editoras. O
leitor interessado chega a ficar tonto. Todavia, segue uma relação daqueles que nos parecem os mais significativos.

O conteúdo da lista

Desenho inspirado em tela de Franz Post
A maioria dos livros arrolados é de história, sociologia e de
literatura, pois elas são as áreas que mais oferecem condições para
obter-se o conhecimento mais amplo sobre um povo. Listaram-se
tanto os considerados como clássicos da cultura brasileira como
outros, tidos como de apoio.


Alternou-se tratados históricos com livros de ficção, desde que
fossem fundamentais aos propósitos do Memorial do RS e da Câmara
do Livro. Quanto às novelas e romances, encontrou-se uma limitação,
visto não ser possível resenhar todas as que são significativas no
espaço que nos coube.


Ficaram assim de fora da presente listagem autores como
Gregório de Matos, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto,
Jorge Amado e tantos outros mais. Em parte porque eles são tão
conhecidos, lidos e admirados que não necessitam entrar nesta
relação porque já são muito lidos.


Lamentou-se não ter incluído no rol outras expressões da nossa
cultura tais como a música popular e erudita, as artes plásticas, a
arquitetura, etc. Também, com uma outra exceção, evitou-se o
regionalismo, procurando selecionar os livros que tratam sobre o Brasil
de maneira mais geral e ampla.


ABREU, Capistrano de - Capítulos da História Colonial
(1500-1800). Brasília, Editora da UnB.


Conjunto de ensaios seminais sobre a história do período
colonial feito pelo famoso historiador cearense José Capistrano de
Abreu. É considerado o primeiro historiador a enfatizar as questões
sócio-econômicas, diminuindo a importância da crônica política. Tratou
da formação indígena nacional, dos descobridores, da organização da
ocupação lusa em forma de capitanias, da presença francesa e
espanhola do alargamento das fronteiras pela conquista do sertão.
Desconsiderou o movimento da Inconfidência por ele não se ter
concretizado, ter ficado apenas no plano das intenções.

ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de - "Pequena História
da Formação Social Brasileira". Rio de Janeiro, Editora
Graal, 728 páginas.

Manual de história brasileira, de 1981, com ênfase inicial nas atividades
econômicas da sociedade escravista, a estrutura jurídicopolitica da etapa colonial, sua estrutura ideológica, a transição para a subordinação do país ao capitalismo mundial, sua respectiva estrutura jurídico-politica e ideologia, concluindo com etapa recente, a capitalista liberal.

ANDRADE, Mário de - Aspectos da Literatura Brasileira.
Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 288 páginas.

Conjunto de ensaios do líder do movimento modernista brasileiro
tratando da obra de Machado de Assis e de outros autores tidos como
clássicos nacionais.

AZEVEDO, Fernando - "A Cultura Brasileira". Brasília,
Editora Universidade de Brasília, 603 páginas.

Levantamento da cultura brasileira,
começando pelos condicionamentos geográficos
do país (hidrografia, flora, fauna, migrações, etc.),
acompanhados de capítulos dedicados às
formações urbanas, à evolução sócio-política, à
psicologia do povo brasileiro, a sua vida religiosa,
intelectual, científica, cultural e artística, bem
como pelas várias etapas percorridas pela
educação desde os tempos coloniais até a
formação das principais universidades do país.

BASTIDE, Roger - "Brasil, terra de contrastes". São Paulo,
Difusão Européia do livro, 282 páginas.

Painel da sociedade brasileira feita por um sociólogo francês,
enfatizando os contrastes entre o arcaico e o moderno. Começando
com a descrição da Amazônia, a estrutura criada no litoral em torno da
cana-de-açúcar, a presença africana, as minas, o café, o pampa,
encerrando-se com um capítulo dedicado às letras e artes.

BIELSCHOWSKY, Ricardo - Pensamento Econômico
Brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimento. São
Paulo, Editora Contraponto, 480 páginas.

A melhor exposição sobre as teoria e idéias econômicas que
modelaram o Brasil do século XX, registro das polêmicas que
envolveram liberais e desenvolvimentistas, estruturalistas e
monetaristas, personalidades como Celso Furtado, Roberto Campos,
etc., com grande ênfase no papel desempenhado pela CEPAL e seus
seguidores no Brasil.

BOJUNGA, Clóvis - JK, o artista do impossível. Rio de
Janeiro, Editora Objetiva, 798 páginas.

Alentada biografia do presidente Juscelino, o
construtor de Brasília e um dos principais arquitetos
do Brasil moderno. Relato que acompanha o
estadista desde os seus tempos de jovem médico da
Força Pública de Minas Gerais até a sua morte
trágica num acidente na estrada Rio-São Paulo, em
1976.

BOSI, Alfredo - "Dialética da Colonização". São Paulo,
Editora Companhia das Letras, 404 páginas.

Uma série de 10 ensaios, nos quais o autor procura descrever os
mecanismos de certos aspectos culturais do país, partindo dos tempos
coloniais, de Anchieta, de Vieira, de Antonil, passando por Alencar e
chegando até aos problemas raciais brasileiros e seus reflexos na
literatura, encerrando-se com considerações sobre o nosso estágio
cultural.

BOXER, Charles R. - "A Idade de Ouro do Brasil". São
Paulo, Companhia Editora Nacional, 390 páginas.

Painel da sociedade colonial brasileira no século XVIII, feito por
um historiador inglês, descrevendo os efeitos econômicos da
mineração que provocaram a expansão das fronteiras e a criação de
gado.

CÂNDIDO, Antônio - "Formação da Literatura Brasileira:
1750-1880". Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2 volumes, 803
páginas.

Notável estudo de como a literatura brasileira, que não
descende das gestas medievais, mas que é resultado de uma
"transplantação" cultural, misturada com elementos nativos e
africanos, vai lentamente adquirindo personalidade própria, forjando
sua linguagem e sua original temática.

CARDOSO, Fernando H. - Escravidão no Brasil
Meridional. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1962.


Tese pioneira na análise do trabalho escravo das
relações escravistas numa parte bem pouco conhecida do
Brasil; no Rio Grande do Sul. O autor, na época, era
integrante da famosa escola de sociologia da USP
(Universidade de São Paulo) e se dedicou a estudar o
fenômeno da escravidão em outras paragens do Brasil,
que não fossem as do Nordeste ou do Centro-Leste do país.

CARONE, Edgar - "A República Velha", São Paulo,
Difusão Européia do Livro, 2 volumes, 875 páginas.

Dividido em um volume dedicado às instituições e classes sociais
e outro à evolução política, abarcam a história
brasileira desde a proclamação de 1889 até a
revolução de 1930. São livros-marco de um
grande projeto que cobre toda a história
republicana brasileira sob o viés marxista
Trabalho erudito, destacando-se pela
impressionante informação qualitativa sobre a
sociedade brasileira em geral. O autor seguiu
publicando outros títulos ao longo da sua
atividade como historiador das instituições e da
vida política e econômico- social do Brasil do
século XX.

CARVALHO, José Murilo de - "Construção da Ordem",
São Paulo, Editora Relume Dumará.


Trata-se da história da burocracia imperial brasileira. É uma
análise detalhada e profunda da composição dos grupos dirigentes,
em particular a magistratura, que criaram o Estado-nacional e o
consolidaram ao longo do Primeiro Reinado, da Regência e dos
primeiros anos do Segundo Reinado.

CASCUDO, Luís da Câmara - "Dicionário do Folclore
Brasileiro". Rio de Janeiro, Ediouro, 930 páginas.

Imenso arquivo coletado pelo autor, com o
auxílio de vários outros colaboradores, para
organizar, em verbetes, a vastidão da cultura
popular brasileira, com suas raízes indígenas,
seus caipiras com suas lendas e expressões
singulares. Encontram-se, também, pequenas
biografias de estudiosos dos nossos folclores,
intercaladas com lendas de todas as regiões do país.

CASTRO, Josué - Geografia da Fome. Rio de Janeiro,
Editora Civilização Brasileira, 318 páginas.

Memorável ensaio de sociologia sócio-econômica, escrito no
após-II GM, no qual o autor denuncia as mazelas
sociais e os desequilíbrios regionais do Brasil,
terminando com a visão eufórica que até então existia
sobre o país. Acima de tudo, é um livro de denúncia
que visava à mobilização nacional para superar a
calamidade da fome, do impaludismo e das doenças
decorrentes do atraso nacional e do descaso oficial.

CHACON, Vamireh - História dos Partidos Brasileiros.
Brasília, Editora da UnB, 811 páginas.

A mais abrangente história da vida partidária no Brasil moderno.
Obra fundamental para o conhecimento das agremiações políticas que
atuaram no Brasil desde o império. Divide-se o livro numa primeira
parte, dedicada às formações políticas do império e das várias etapas
republicanas (da Iª República em diante) para, depois, lhes analisar o
conteúdo programático e ideológico.

CORTESÃO, Jaime - A carta de Pero Vaz de Caminha.
Lisboa. Edições Livro de Portugal, 351 páginas.

Além de contar com a edição íntegra do documento, segue-se
uma detalhada análise da Carta de Caminha - que registra a
descoberta do Brasil - feita por um notável historiador português
exilado no Brasil.

COUTINHO, Afrânio - "Introdução à Literatura no Brasil".
Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 321 páginas.

Classificação da literatura brasileira dentro dos grandes quadros
culturais do barroco, do rococó, do romantismo, do realismo, do
naturalismo, do parnasianismo até os movimentos modernos, tais
como o simbolismo e o impressionismo, havendo, ainda, um especial
sobre a semana da arte moderna e seu legado.

COUTO DE MAGALHÃES, General - "O Selvagem", Belo
Horizonte, Livraria Itatiaia - USP, 159 páginas.

Grande trabalho etnográfico, concluído em 1876, que investiga o
primitivo homem americano, as suposições de sua penetração no
Brasil, as línguas faladas pelas tribos brasileiras, os tipos de raças e
as mestiçagens ocorridas, bem como a estrutura familiar e a religião
das nossas tribos, encerrando com um capítulo dedicado às mitologias
tupi-guaranis.

CRUZ COSTA, - "Contribuição à História das idéias no
Brasil". Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 456
páginas.

Obra dividida em três grandes momentos das idéias do Brasil:
Primeiro expõe a herança portuguesa e as vicissitudes da
formação colonial; depois as principais correntes filosóficas que por
aqui aportaram ao longo do século XIX, especialmente o positivismo,
alcançando até as considerações do presente, determinado pelo pósguerra.

CUNHA, Euclides - "Os Sertões". Rio de Janeiro, Livraria
Francisco Alves, 471 páginas.

Extraordinária obra, publicada
em 1902, sobre a campanha de
Canudos, arraial situado no sertão
baiano onde, entre 1896-1897, várias
colunas militares do governo
republicano se enfrentaram com os
sertanejos seguidores de Antônio
Conselheiro. Livro que é, ao mesmo
tempo, um ensaio literário e histórico,
considerado um dos mais relevantes
da cultura do Brasil.

DEAN, Warren - "A Industrialização de São Paulo". São
Paulo, Difusão Européia do Livro/USP, 269 paginas.


História dos primórdios da industrialização do mais poderoso
estado da união, e, por igual, como a burguesia industrial emergiu da
burguesia rural e imigrante, entre 1880-1914, e os efeitos que a
Primeira Guerra Mundial provocou na formação do nosso parque
industrial.

DELLA CAVA, Ralph - "Milagre em Juazeiro". Rio de
janeiro, Editora Paz e Terra, 279 páginas.

O Surgimento no Cariri, em pleno sertão
cearense, da figura carismática do Padre Cícero
Romão Batista, o "Padim Ciço" dos beatos e
beatas. Notável estudo das condições sociais do
interior do nordeste e dos conflitos internos da
igreja católica brasileira com a européia, que
conduziram à formação de um grande poder
político ao redor do patriarca sertanejo.

DULLES, J.W.F - Getúlio Vargas: biografia política.

Alentado ensaio historiográfico, redigido com
isenção e objetividade por este autor norte-americano,
sobre a personalidade política de Getúlio Vargas.
Percorre a vida do estadista desde seus tempos de
estudante e integrante do partido republicano riograndense
(PRR), até sua derradeira ascensão ao
poder. Além disso, é uma obra síntese da vida política
nacional durante os anos do getulismo.

FAORO, Raymundo - "Os donos do Poder", Porto Alegre,
Editora Globo, 2 volumes, 750 páginas.

Imenso ensaio histórico que trata da evolução
política brasileira, desde suas origens, no estado
português, até a eclosão da Revolução de 1930, e a
reconcentração da vida política nacional feita por
mecanismos autoritários. É uma tentativa de
abordar a nossa história com os recursos da
sociologia de Max Weber, dando ênfase nos
aspectos administrativos, burocráticos e
patrimonialísticos da nossa sociedade.

FAUSTO, Boris - História do Brasil. São Paulo, Edusp,
2002. 660 páginas.

Novíssima história do Brasil, merecedora do Prêmio Jabuti. É obra
da nova geração de historiadores, que enfatiza os aspectos
econômicos e sociais da história brasileira no contexto da evolução
dos sistemas econômicos internacionais.

FENELON, Dea Ribeiro (org.) - "50 textos de História do
Brasil", São Paulo, Editora Hucitec, 210 páginas.

Volume utilíssimo na medida em que organiza os principais
documentos e interpretações de momentos-chave da história
brasileira desde o início da expansão ultramarina portuguesa; da
fixação dos reinóis, nas terras coloniais, à organização e consolidação
do estado nacional nos princípios da independência, até o Brasil dos
anos de 1970.

FREYRE, Gilberto - "Casa-Grande e Senzala". Rio de
Janeiro, Editora José Olimpio, 572 páginas.

Primeira parte da trilogia de uma história
social do Brasil, surgida em 1933 (os outros
volumes são "Sobrados e Mocambos" e
"Ordem e Progresso"), entendida sob o
prisma do sincretismo cultural entre o branco, negro e o índio, com
ênfase na presença luso-africana na configuração cultural e nos
costumes gerais do Brasil. É um dos maiores clássicos da ensaística
brasileira, obra verdadeiramente revolucionária e magistralmente bem
escrita.

FURTADO, Celso - A Formação Econômica do Brasil. São
Paulo, Companhia Editora Nacional, 256 páginas.

A mais influente e difundida obra sobre a história
econômica do Brasil. Livro publicado em início dos anos
50 do século XX, ideologicamente comprometido com o
desenvolvimentismo e com o anticolonialismo, defensor
da industrialização do país, segundo o intervencionismo
advogado pela doutrina econômica da Cepal.

GASPARI, Élio - A Ditadura Envergonhada. São Paulo, Cia
das Letras, 424 páginas.

Primeiro livro de uma série de cinco que o autor pretende publicar
sobre a história política da ditadura militar brasileira (1964-1985). A
sua fonte principal de documentação é o acervo deixado pelo general
Golbery do Couto e Silva, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de
Informações), que ocupava posição estratégica em larga parte do
período militar. É um relato tenso, rico em detalhes, dos bastidores
das principais decisões que foram tomadas naquela época.

GORENDER, Jacob - "O Escravismo Colonial". São Paulo,
Editora Ática, 592 páginas.

Da mesma maneira que Marx estudou e dissecou a fundo o
sistema capitalista, atuando como um anatomista, Jacob Gorender o
faz com o sistema escravista, em sua especificidade colonial. O autor
observa que este sistema desenvolve um conjunto de leis próprias e
singulares, que o destaca dos demais, como o feudalismo ou
escravismo antigo. É um monumento da ciência social brasileira.

GUIMARÃES, Alberto Passos - "Quatro séculos de
latifúndios". Rio de janeiro, Editora Paz e terra, 255 páginas.

História do sistema latifundiário brasileiro, desde os tempos das
sesmarias coloniais, passando pelas parcerias e pelos chamados
núcleos de colonização de épocas mais recentes. A tese do autor é
que o latifúndio continua praticamente intocado desde os tempos de
Martim Afonso de Souza, impedindo, com sua estrutura iníqua, a
democratização do acesso a terra.

HOLANDA, Sérgio Buarque (dir.) - "História Geral da
Civilização Brasileira". São Paulo: Difel, 4.500 páginas.

Monumental obra sobre a história da
sociedade brasileira e seus aspectos políticos,
econômicos e sociais, desde os tempos
coloniais até a República Velha. Dividida
numa época colonial (2 volumes), no Brasil
monárquico (5 volumes) e no Brasil
Republicano(2 volumes), contando com
especialistas em cada um dos temas enfocados. O Brasil Republicano
contou com a direção do historiador Boris Fausto.

HOLANDA, Sérgio Buarque - "Raízes do Brasil". Rio de
Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 155 páginas.

Um dos mais conhecidos ensaios sobre o Brasil, publicado em
1936, simultaneamente, uma síntese histórico-sociológico e uma
análise das características nacionais mais marcantes. É nele que o
autor defende a conhecida tese do brasileiro ser "o homem cordial" e
como tal predisposição influencia no desenho da nossa realidade.

LAMBERT, Jacques - "Os dois Brasis". São Paulo, Editora
Companhia Nacional, 277 páginas.

Ensaio clássico deste sociólogo francês sobre a dualidade sócioeconômica
do Brasil, um país onde o passado indígena e escravista
coabita com o presente industrial moderno. O autor interpreta as
situações contrastantes da nossa sociedade dualista, a luta entre o
velho e o novo, onde desenvolvimento e subdesenvolvimento se
digladiam em todos os frontes.

LEAL, Victor Nunes - Coronelismo, enxada e voto. São
Paulo, Editora Alfa-ômega, 280 páginas.

Famosa monografia do jurista V.N.Leal sobre o sistema político
eleitoral brasileiro, expondo os mecanismos de controle exercidos
pelos coronéis do sertão brasileiro sobre o eleitorado. Minimiza o
papel do municipalismo e enfatiza a importância do controle sobre o
estado.

MOREIRA LEITE, Dante - O caráter nacional brasileiro.
São Paulo, Editora Pioneira, 378 páginas.


Clássica tese sobre as várias interpretações que escritores e
intelectuais brasileiros produziram, ao longo do tempo, no sentido de
procurarem identificar qual é, afinal, o caráter dos brasileiros.

LÉRY, Jean de - Viagem a Terra do Brasil. Rio de Janeiro,
Biblioteca Editora do Exército.

Uma das mais sensacionais narrativas sobre o Brasil no tempo da
presença francesa na baía de Guanabara (1555-1565). O autor era um
missionário calvinista enviado ao Brasil para ajudar no povoamento e
colonização da França Antártida na época de Villegagnon. O livro,
editado em 1578 na cidade huguenote de La Rochelle, repleto de
relatos sobre a vida e costumes indígenas, é considerado pelos
antropólogos como o documento fundador da etnografia brasileira.

LÉVY-STRAUSS, Claude - "Tristes trópicos". Lisboa,
Edições 70 413 páginas.

Um dos mais célebres relatos antropológicos que se
conhece sobre as sociedades indígenas brasileiras feito
por este eminente intelectual francês, que esteve em
viagem de estudo pelo nosso sertão, nos anos de 1930.
Depois das divagações autobiográficas iniciais, narrou sua experiência
como professor da USP, dedicou sua atenção em descrever a vida
dos caduevos, dos bororós, dos nambikwara e dos tupi-kawahib.

LIMA, Manoel de Oliveira - "O Movimento da
Independência: 1821-1822". São Paulo, Editora
Melhoramentos. 509 páginas.

A mais ampla descrição do quadro histórico, econômico e social
em que ocorreu o processo de Independência do Brasil, feito por um
dos maiores historiadores brasileiros. Trabalho erudito que celebra a
importância da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em
1808, como responsável pela promoção do Brasil à categoria de Reino
Unido a Portugal, bem como elemento deflagrador indireto da
emancipação brasileira, alcançada em 1822.

MACAULAY, Neil - "A coluna prestes", Difel. São Paulo,
269 páginas.

Narrativa feita por um historiador norte-americano daquela que foi
considerada um dos grandes épicos da história do Brasil republicano:
a marcha da Coluna Prestes que, saindo do sul do país, percorreu
todo o sertão nordestino para se refugiar, finalmente, na Bolívia em
1927.

MAGALHÃES, Basílio de - Expansão Geográfica do Brasil
Colonial. São Paulo, Editora Nacional, 348 páginas.

Exposição dos ciclos econômicos que foram responsáveis pela
conquista do território brasileiro entre 1504 e 1696. Começando pelas
entradas e bandeiras, seguido da procura do ouro e da caça à mãode-
obra indígena, alcançando a difusão da criação do gado pelo
interior do Brasil, responsável pela ocupação do Mato Grasso e de
Goiás.

MARTINS, Wilson - "História da inteligência Brasileira".
São Paulo, Editora Cultrix, 5 volumes, 3 mil páginas.

Colossal obra do crítico W. Martins, abrangendo praticamente
todos os aspectos significativos da cultura literária e poética do Brasil,
desde os tempos do Pe. Leonardo Nunes, no século XVI, até 1914.
São 3 mil páginas que oferecem o mais amplo painel do que ficou
registrado de importante em nossa história cultural.

MELLO, Evaldo Cabral de - "O negócio do Brasil -
Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669". Rio
de Janeiro, Editora Topbooks, 273 páginas.

Livro que analisa a ocupação holandesa do Nordeste (1830-1854),
num contexto mais amplo, situando-a entre empreendimentos
mercantilistas europeus, abarcando um horizonte que contemplava a
rota para a Índia e o comércio de escravos com o litoral africano.
O negócio do Brasil mostra
que o Nordeste batavo foi "bem
mais do que um episódio
pitoresco numa colônia remota" e
explica como os portugueses
recompraram de volta o
Nordeste, então em mãos dos
holandeses, pelo equivalente, na
época, a 63 toneladas de ouro.

MORAIS, Fernando - "Chatô, o rei do Brasil". São Paulo,
Companhia das Letras. 732 páginas.

Biografia de Assis Chateaubriand, o poderoso jornalista que
constituiu a primeira rede de comunicações no Brasil, os Diários
Associados, que englobavam jornais, rádios e canais de televisão.
Simultaneamente, é uma envolvente e um tanto tenebrosa descrição
de história da vida política e dos costumes brasileiros entre os anos de
1920 a 1960.

MOTA, Carlos Guilherme - "Ideologia da Cultura
Brasileira (1933-1974). São Paulo, Editora Ática, 368
páginas.

Uma das melhores exposições sobre a história das idéias no
Brasil desde a Revolução de 1930 até a época da Abertura
Democrática do regime militar. Estão presentes não somente os
grandes nomes do pensamento nacional (cientistas políticos,
ensaístas, acadêmicos...), mas também o resumo das ideologias de
cada um dos períodos analisados pelo autor.

NABUCO, Joaquim - "O Abolicionismo". Petrópolis, Editora
Vozes, 204 páginas.

Exemplar descrição da luta pela emancipação dos
escravos no Brasil, publicada em 1883, feita por um dos
principais líderes do movimento abolicionista, Joaquim
Nabuco, bem como uma acurada análise das leis de
alforria que foram gradativamente aprovadas até aquela
data.

NABUCO, Joaquim - Um estadista do Império.Rio de
Janeiro, Topbooks, 2 volumes, 1.444 páginas.

Relato histórico da vida política de Nabuco de Araújo, pai do
autor, um dos mais proeminentes homens do parlamento na época do
império. Além de ser a biografia política do senador, é, acima de tudo,
uma crônica da atividade parlamentar e das atividades econômicas e
sociais do Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889). Um dos
livros mais admiráveis da historiografia brasileira.

PEREIRA, Luis Carlos Bresser - "Desenvolvimento e crise
no Brasil". São Paulo, Editora Brasiliense, 230 páginas.

Análise do desenvolvimento econômico brasileiro a partir do que o
autor denomina a Revolução Industrial Brasileira, nos anos de 1930-9,
a descrição da emergência do moderno empresariado e da classe
operária, a ascensão da tecnocracia e a luta ideológica entre a
esquerda e os conservadores, encerrando-se com as três ideologias
capitalistas possíveis de dominar nosso cenário político-econômico
futuro.

PRADO JÚNIOR, Caio - "Formação do Brasil
Contemporâneo". São Paulo, Editora Brasiliense, 390
páginas.

Editado em 1942, foi considerado um trabalho inovador no
campo da interpretação da nossa história na medida em que se
utilizou largamente das categorias marxistas para analisar nosso
passado, com grande ênfase nas atividades econômicas do Brasil
Colônia.

PRADO, Paulo - Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza
brasileira. Rio de Janeiro, F. Briguet e Cia., 221 páginas.

Famoso ensaio de um aristocrata paulista que repelia a visão
ufanista do Brasil, contida na obra do Conde Afonso Celso. Para
Prado, era a tristeza do jaburu, pássaro longilíneo, solitário e
desamparado, que melhor representava o estado de espírito nacional.
O livro subdivide-se em capítulos dedicados à luxúria, cobiça, tristeza
e ao romantismo.

RAMOS, Graciliano - "Memórias do Cárcere". Rio de
Janeiro, Editora Record, 697 páginas.

O autor, simpatizante da esquerda, detido depois do
fracasso do levante comunista de 1935, deixou um
pungente relato do seu tempo de encarceramento no
presídio da Ilha Grande. Obra póstuma, publicada em
1954, tornou-se um impressionante documento da
literatura carcerária mundial.

RIBEIRO, Darcy - "Teoria do Brasil". Rio de Janeiro,
Editora Paz e Terra, 146 páginas.

O Brasil, visto como resultado da grande expansão européia,
provocada pela revolução mercantil e industrial que dividiu o mundo
em povos desenvolvidos e subdesenvolvidos, fazendo com que nosso
país se configurasse entre os Povos-Novos. Um instigante ensaio de
um dos mais conhecidos antropólogos brasileiros.

RODRIGUES, José Honório - "Aspirações nacionais". Rio
de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 234 páginas.

Todo e qualquer país desenvolve em seu íntimo um conjunto de
aspirações, o que deseja vir a ser. Este é o tema desta
conhecidíssima obra, publicada em 1963, que ressalta o traço
conciliador na política nacional. A conciliação das elites por outro lado
visa à exclusão popular, tornando nossa vida política uma opção pela
mediocridade.

ROSA, João Guimarães - "Grande Sertão: Veredas". Rio
de Janeiro, Livraria José Olympio Editora. 460 páginas.

Fantástico romance narrado a partir de um relato feito
pelo jagunço Riobaldo, de suas aventuras pelos sertões
terrivelmente agrestes do interior das Minas Gerais, e sua
estranha relação com seu companheiro Diadorim. Foi um
marco da renovação da linguagem brasileira que
incorporou todo o universo rústico e a sintaxe diferenciada, até então
pouco contemplada na nossa literatura.

SCHWARTZ, Roberto - "Ao vencedor as batatas". São
Paulo, Livraria Duas Cidades, 169 páginas.

Ensaio literário no qual o autor afirma estarem nossas idéias "fora
do lugar na medida em que elas são importadas da Europa, cuja
realidade social e cultural é completamente distinta daquela existente
no Brasil dos tempos de Alencar e machado de Assis".

SILVA, Hélio - "O Ciclo de Vargas". Rio de Janeiro, Editora
Civilização Brasileira.


Detalhado e criterioso levantamento de documentos e
depoimentos de personagens da história contemporânea, que cobrem
grande parte do século XX, desde a Proclamação da
República, em 1889, até o movimento militar de 1964
(incluído). É obra magna da historiografia jornalística
nacional, subdividida em volumes especiais
dedicados a cada um dos episódios que cobrem
todos os eventos importantes do século passado,
durante a Era Vargas (Revolta do Forte de
Copacabana, Coluna Prestes, Revolução de 1930,
etc.).

SANTIAGO, Silvano (org.) - Intérpretes do Brasil. Rio de
Janeiro, Editora Nova Aguilar, 3 volumes, 4.699 páginas.

Monumental edição dos maiores clássicos da cultura, do ensaio
e da história brasileira, especialmente preparada para celebrar a
passagem dos 500 anos da descoberta do Brasil. Nela estão os
principais textos de Gilberto Freyre, Euclides da Cunha, Alcântara
Machado, etc. Formam, os 3 volumes, uma biblioteca-síntese com o
que de melhor a cultura nacional produziu.

SIMONSEN, Roberto C. - "História Econômica do Brasil:
1500-1820". São Paulo, Companhia Editora Nacional, 475
páginas.

Resultado do primeiro curso de história econômica brasileira,
proferido pelo autor em São Paulo e publicado em 1937. É uma
abrangente exposição da política econômica desde o início das
navegações lusitanas, passando pelas inúmeras atividades coloniais
até a chegada de D. João VI ao Brasil.

SKIDMORE, Thomas - "Brasil: de Getúlio e Castelo", Rio
de Janeiro, Editora Saga, 512 páginas.

Narrativa da crônica política do Brasil, desde a Revolução de
1930, liderada por Getúlio Vargas, até o colapso do sistema
democrático, ocorrido em 1964. Todos os grandes conflitos que a
sociedade brasileira viveu estão registrados em 7 grandes capítulos de
fácil entendimento.

SOUZA, Octávio Tarquínio de - "Introdução à História
dos Fundadores do Brasil". Belo Horizonte, Editora Itatiaia.

A história do Brasil da época do Império, narrada
através dos seus personagens principais, ao estilo de
Plutarco, no qual a biografia é um recurso para expor
uma vastidão de outros temas. Além dos 3 volumes
dedicados a D.Pedro I, temos as biografias de José
Bonifácio, Bernardo Pereira de Vasconcellos, etc.

STADEN, Hans - "Viagem ao Brasil".

Além de ser uma eletrizante narrativa da vida de um alemão
náufrago, capturado pelos tupinambás antropófagos do litoral de
Bertioga, em São Paulo, é uma notável fonte de informações sobre os
rituais indígenas do Brasil do século XVI, e uma excelente exposição
das rivalidades luso-francesas para atraírem as simpatias dos nativos.

TAUNAY, Affonso de - "História das Bandeiras paulistas".
São Paulo, Edições Melhoramentos, 2 volumes.


Clássico relato das incursões dos bandeirantes, realizadas
desde o século XVII e que, partindo do planalto de Piratininga à caça
de índios e de veios de ouro e pedras preciosas, desbravaram o
sertão brasileiro, abrindo caminho, assim, a sua posterior conquista e
povoamento. É uma obra de celebração dos feitos dos antepassados
dos paulistas ("tipos notáveis"), que procura ressaltar o trabalho
desbravador deles e não o de preadores de mão-de-obra escrava.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo - "História Geral do
Brasil". 5 volumes.


Obra mestra da historiografia brasileira, composta no século XIX,
por um integrante do Instituto Histórico do Brasil, que se tornou
referência obrigatória a todos os estudiosos da história nacional. Seus
críticos apontam que ele teria criado o "quadrado de ferro",
ideologicamente conservador, um molde rígido de ver a história,
recheada de verdades tidas como indiscutíveis, que teriam
condicionado a maioria dos livros didáticos do país. Abrangente,
impressionante e muito bem escrita.

VERISSIMO, Érico - "O Tempo e o Vento". Porto Alegre,
Editora Globo, 3 volumes.


Saga da família Terra-Cambará na conquista do
Rio Grande do Sul. Grande romance épico da
literatura sul-rio-grandense e brasileira, dividido em
três grandes momentos: o continente, o retrato e o
arquipélago. Narrativa fundamental para a
compreensão de formação sócio-econômica e política
do Rio Grande do Sul, através de grandes
personagens-tipo.

VERISSIMO, José - "História da Literatura Brasileira",
Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 319 páginas.

Primeira das sínteses da história da nossa literatura, publicada em
1916, que vai de Bento Teixeira, no Brasil barroco-colonial, até a
época de Machado de Assis, em 1908. Pautando-se por encontrar
aquilo que distingue a literatura brasileira da portuguesa,
especialmente desde o Romantismo.

VIANA, Francisco José de Oliveira - Populações
Meridionais do Brasil. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2
volumes.


Um dos mais famosos e influentes ensaios da sociologia brasileira
na ótica culturalista, liberal-conservadora. Ainda que classificado por
seus contendores como racista, elitista, estatista, corporativista e
colonizado, a obra dele, especialmente este seu primeiro livro,
aparecido em 1920, teve então um sucesso editorial que suscitou
interesse e notória repercussão, gerando produtivas polêmicas.

VIEIRA, Pe. Antônio - "Os Sermões". Difel, São Paulo, 438
páginas.

A mais alta expressão da cultura luso-brasileira do período
barroco. Trata-se de uma coletânea de grandes sermões, entre eles o
da Sexagésima, proferidos pelo autor durante sua longa estada no
Brasil, no século XVII. Orador extraordinário, a prosa barroca de Vieira
carrega a carga emotiva e grandiloqüente de um dos períodos áureos
da língua portuguesa. Os seus sermões completos foram editados
pela Lello Editores de Lisboa, Portugal.

    
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