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Plácido de Castro e a conquista do Acre
Ex-oficial do exército federalista, combatente veterano da Revolução de 1893-5 no Rio Grande do Sul, Plácido de Castro teve sua vida e sua fama ligada à Revolução Acreana de 1902/3 contra a Bolívia. Fato que conduziu primeiro a independência e depois a integração daquele território rico em seringais ao Brasil. O ímpeto vitorioso do caudilho Plácido, logo foi sucedido pela habilidade do chanceler Barão do Rio Branco. A pólvora deu lugar a diplomacia que, por meio do Tratado de Petrópolis, negociou com La Paz a absorção definitiva do Acre.
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José Plácido de Castro (1873-1908)
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Dois fatores se conjugaram na mesma época para que o território do Acre, na esfera da Amazônia boliviana, terminasse ocupado por milhares de seringueiros brasileiros. O primeiro deles foi a explosão da demanda pela borracha em razão da expansão da indústria dos transportes que estava ocorrendo nos Estados Unidos como na Europa nos finais do século XIX; o segundo, denominado de transumância amazônica, resultou da gravíssima seca que assolou o Estado do Ceará, entre 1877 e 1880, situação que provocou uma migração em massa de trabalhadores que, reduzidos à miserabilidade, se deslocaram então para o interior da selva amazônica na busca de novos meios de sobrevivência.(*)
A boa acolhida que o governo da então Província do Amazonas deu aos recém-chegados não se deveu apenas aos princípios humanitários. As sucessivas autoridades locais entenderam aquela invasão pacífica dos cearenses escapados da seca – em 1878 foram mais de onze mil - como uma benção devido a procura crescente pela borracha. Estimularam a que logo rumassem para os distantes seringais para os lados distantes da fronteira com a Bolívia, porque os sabiam pródigos em látex em razão da qualidade excepcional daquela terra.Assim sendo, não demorou muito para que o governo do Amazonas se mostrasse como o principal interessado em integrar o território acreano ao seu patrimônio, tendo contra si, em tal intento, não somente a Bolívia, como também o próprio governo brasileiro que temia as conseqüências de um embate armado naqueles sítios remotíssimos. Seja como for, foi o empenho do estado do Amazona quem proporcionou diretamente apoio logístico para que mais tarde os seringueiros do Acre tivesse sucesso no seu afã autonomista. (*)A seca de 1877-80, dada sua duração e triste efeito, provocou uma verdadeira comoção nacional na ocasião. Para tanto, ver "A seca no Ceará: escritos de Guilherme Capanema e Raja Gabaglia", organizado por Kênia Sousa Rios, Fortaleza, Museu do Ceará, 2006, bem como o livro "Seca, Fornalha e Estado de Emergência" organizado pelas professoras Gina Vidal Marcílio Pompeu e Mônica Mota Tassigny, Fortaleza, INESP (Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Ceará) e a UNIFOR (Universidade de Fortaleza). O melhor registro literário e documental encontra-se no livro "A Fome" de Rodolfo Teófilo.Calculou-se que a mortalidade na província do Ceará atingiu a 500 mil pessoas. Impressionado com aquela desolação provocada por "um Sol cáustico em brasas", o poeta Guerra Junqueiro deixou a seguinte verso: "Lançai o olhar em torno;Arde a terra abrasada/Debaixo da candente abóbada dum forno/Já não chora sobre ela orvalho a madrugada;Secaram-se de todo as lágrimas das fontes;E na fulva aridez aspérrima dos montes/Entre as cintilações narcóticas da luz/ As árvores antigas/Levantam para o ar – atléticas mendigas,/Fantasmas espectrais, os grandes braços nus." ("Fome no Ceará", 1877)
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